Proposta de estudantes do Mackenzie transforma matéria orgânica em energia e bioinsumos; edição do Concurso CBCA reuniu 186 alunos de 43 universidades em 16 estados
Um projeto que propõe transformar matéria orgânica presente na Baía de Guanabara em energia e produtos de interesse industrial, ao mesmo tempo em que contribui para a recuperação ambiental da região, venceu a 19ª edição do Concurso CBCA para Estudantes de Arquitetura. A proposta “Cais da Guanabara – RJ”, desenvolvida por Diogo Bezerra da Silva e Maria Luísa Tapias Gonçalves, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ficou em primeiro lugar na competição promovida pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA).
Orientados por Catherine Otondo e co-orientados por Carolina de Rezende Maciel, os estudantes projetaram um Centro de Inovação na região da Gamboa, no Rio de Janeiro, com foco na integração entre infraestrutura, indústria, pesquisa e regeneração ambiental. O conceito central é a bioeletrogênese: o uso do metabolismo de bactérias para atuar sobre a matéria orgânica presente na água, com potencial de gerar eletricidade de baixa tensão e subprodutos como fertilizantes e biogás. A solução é combinada a sistemas vegetais filtrantes, os chamados wetlands, para ampliar o tratamento da água e a captura de CO₂.
A proposta também recupera a vocação produtiva da zona portuária ao prever espaços de pesquisa aplicada, experimentação e produção tecnológica. Na concepção estrutural, o aço permite grandes vãos, flexibilidade de uso e soluções adaptáveis às condições futuras da Baía de Guanabara. Entre elas está um sistema capaz de elevar pontos do piso térreo e do mezanino em até 80 centímetros, medida incorporada ao projeto diante do cenário de elevação da lâmina d’água considerado pelos autores.
A edição de 2026 reuniu 58 equipes, com 186 estudantes de 43 universidades, distribuídas por 16 estados brasileiros. O tema “Infraestrutura, Indústria e Inovação” teve como referência o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 9 (ODS 9) da Organização das Nações Unidas, que trata de infraestrutura resiliente, industrialização sustentável e inovação.
Com a vitória na etapa nacional, Diogo e Maria Luísa representarão o Brasil no 19º Concurso Alacero de Diseño en Acero para Estudiantes de Arquitectura 2026, organizado pela Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), durante o Alacero Summit 2026, na Cidade do México, nos dias 10 e 11 de novembro. A equipe vencedora também receberá R$ 10 mil, além de publicações técnicas e inscrições em cursos online promovidos pelo CBCA.
Demais premiados
2º lugar – “Estação de Pesquisa Entrevias”, Curitiba (PR)
Ana Beatriz Desanoski, Ana Julia Bernardo, Laura Bach Santa Catarina e Letícia Luiza Chioqueta, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Orientadora: Thais Saboia Martins. Co-orientadora: Karina Scussiato Pimentel. O projeto propõe recuperar a histórica Garagem das Litorinas, no bairro Rebouças, transformando o espaço em um centro de pesquisa e tecnologia dedicado à mobilidade urbana sustentável, com laboratórios, incubação de startups e áreas abertas ao público.
3º lugar – “São Paulo – SP Elo Transportador”
Miguel Gomes de Almeida Silva e Renato Della Capa Martins, do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Orientador: Edson Lucchini Jr. Co-orientador: David Vital Brasil Ventura.
Menção honrosa – “Lagoa Santa – MG”
Flávio Augusto de Souza Carvalho, Julia de Souza Dester, Marianna Vasconcelos Pinto e Vinicius Oliveira Dias Urpia, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Orientador: Marcos Franchini.
A Comissão Julgadora foi presidida pela arquiteta e colaboradora do CBCA Sílvia Scalzo e reuniu profissionais da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE), além de colaboradores de empresas mantenedoras da entidade.
Mais informações e projetos vencedores: www.cbca-acobrasil.org.br/arquitetura/vencedores.php
Sobre o CBCA
O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) é uma entidade de classe criada em 2002 com o objetivo de ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional, por meio de ações de divulgação e apoio ao desenvolvimento tecnológico no Brasil. O CBCA tem como gestor o Instituto Aço Brasil e não é uma entidade comercial.
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