Resultados do PISA 2026 reforçam desafio de desenvolver habilidades que sustentam a aprendizagem

Redação
7 min. leitura

Concentração, autonomia, persistência e comunicação estão entre as competências que podem ser estimuladas desde a infância e ajudam crianças a aprender, resolver problemas e lidar com desafios

Os resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) voltam a colocar a aprendizagem dos estudantes brasileiros no centro do debate educacional. Para além do domínio de conteúdos de matemática, leitura e ciências, o cenário também chama atenção para uma questão que antecede o desempenho nas avaliações, levando em consideração quais habilidades uma criança precisa desenvolver para conseguir, de fato, aprender. A resposta passa por competências cognitivas e socioemocionais que permitem ao estudante prestar atenção, organizar informações, estabelecer relações, buscar soluções e utilizar o conhecimento em situações diferentes daquelas em que ele foi apresentado. Para Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera, rede de estimulação cognitiva, ensinar não deveria estar restrito à transmissão de informações.

Divulgados recentemente pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), os resultados do Pisa 2025 mostram avanços do Brasil na comparação com 2006. Entre mais de 50 países analisados, o País aparece na 7ª posição em crescimento de proficiência em leitura e matemática e na 8ª em ciências. Na edição mais recente, os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A avaliação, aplicada a estudantes de 15 anos, analisa conhecimentos e habilidades e ajuda a dimensionar os desafios da aprendizagem em diferentes países e economias.

- Publicidade -

“Ensinar o cérebro a aprender significa ir além da simples transmissão de conteúdo e estimular o aluno a construir o próprio aprendizado. Esse processo acontece quando ele presta atenção, compreende o significado e a relevância das informações, consegue organizá-las e, principalmente, aplicar o que aprendeu em situações diferentes daquelas em que o conteúdo foi apresentado”, explica a diretora pedagógica.

Nesse processo, memória de trabalho, atenção seletiva e sustentada, memória de longo prazo, raciocínio lógico e funções executivas exercem papel importante. São essas habilidades que permitem ao aluno manipular o conteúdo aprendido. Segundo a especialista, um estudante pode, por exemplo, conhecer uma fórmula e ainda assim ter dificuldade para aplicá-la diante de um problema novo caso não consiga selecionar as informações relevantes, organizar o raciocínio ou sustentar a atenção.

“Quando falamos em desenvolvimento infantil, não estamos falando apenas de conteúdos que a criança precisa aprender. Também estamos falando de habilidades que ajudam a fortalecer esse aprendizado. A capacidade de manter a atenção, buscar soluções, persistir diante de uma dificuldade e se comunicar são construídas e fortalecidas ao longo das experiências da infância”, acrescenta Patrícia.

Na avaliação da especialista, quatro habilidades merecem atenção especial desde os primeiros anos, como concentração, autonomia, persistência e comunicação. Elas podem ser estimuladas de maneira integrada à rotina dos pequenos, por meio de brincadeiras, jogos e atividades que ofereçam desafios adequados à idade, incentivem diferentes estratégias e permitam aprender também a partir dos erros.

Concentração: a porta de entrada para aprender

Em meio a tantos estímulos, sustentar a atenção é fundamental para que a informação seja processada e se transforme em aprendizado. “Concentração não significa ficar parado. É aprender a direcionar a atenção e permanecer envolvido em uma atividade. Jogos e desafios podem ajudar a exercitar essa habilidade de forma natural e prazerosa”, afirma.

Autonomia: buscar soluções

A autonomia se desenvolve quando a criança tem espaço para pensar, tomar pequenas decisões e testar caminhos. “Dar autonomia não é retirar o apoio do adulto, mas permitir que seu filho experimente, erre, tente novamente e perceba que é capaz de encontrar soluções”, explica Patrícia. Na escola, atividades que estimulem escolhas e resolução de problemas também contribuem para uma aprendizagem menos baseada apenas na memorização.

Persistência: o erro também ensina

Aprender a lidar com dificuldades e frustrações é outra parte importante do desenvolvimento. “Em vez de interpretar o erro como um sinal de que não consegue, o pequeno pode compreender que faz parte do processo tentar ajustar a estratégia e continuar”, pontua a diretora pedagógica. Segundo a especialista, trabalhar essa habilidade desde cedo também ajuda a evitar que experiências recorrentes de insucesso afetem a motivação e a autoconfiança.

Comunicação: aprender com o outro

Expressar ideias, ouvir, argumentar e colaborar também favorecem a aprendizagem. “A criança precisa aprender a expressar o que pensa, mas também a ouvir e considerar diferentes pontos de vista. Essas experiências contribuem para relações mais colaborativas e para a própria aprendizagem”, destaca.

Para Patrícia, estimular essas competências não deve significar aumentar as cobranças. Brincadeiras, conversas, leituras e situações cotidianas podem criar oportunidades para exercitar o cérebro. A metacognição, que é a capacidade de compreender como se aprende e quais estratégias funcionam melhor, também ajuda o estudante a assumir um papel mais ativo no processo. “A aprendizagem é o que o cérebro constrói com o que se ensina e, principalmente, com o que se vivencia. Se ensinarmos uma criança a focar a sua atenção, a organizar seus pensamentos, a se questionar e a errar sem medo, iremos ensiná-la a pensar, o único bem que nenhum computador substituirá”, conclui Patrícia.

O que é o Supera?

O Supera é uma empresa educacional de estimulação cognitiva brasileira, sediada em São José dos Campos e com mais de 250 unidades em todo território nacional. Fundada há 20 anos, possui metodologia pioneira, validada por estudo científico conduzido por pesquisadores da USP, responsável por desenvolver habilidades cognitivas e socioemocionais fundamentais para a vida diária de crianças, adolescentes, adultos e idosos. O método oferece atividades variadas, que envolvem novidades e desafios, adequadas às diferentes faixas etárias.

(Crédito: Divulgação)

logo_cen.png
Cadernos
Institucional
Colunistas
andrea ladislau
Saúde Mental
Avatar photo
Exposição de Arte
Avatar photo
A Linguagem dos Afetos
Avatar photo
WorldEd School
Avatar photo
Sensações e Percepções
Marcelo Calone
The Boss of Boss
Avatar photo
Acidente de Trabalho
Marcos Calmon
Psicologia
Avatar photo
Prosa & Verso