De tempos em tempos, nessa Era Digital, alguém anuncia a morte do marketing. Já mataram a propaganda algumas vezes também
Autor: Pedro Marcilio
Publicitário Mentor de Mkt&Com
A televisão iria acabar com o rádio. A internet acabaria com a televisão. As redes sociais acabariam com a propaganda tradicional. O e-commerce acabaria com as lojas. Os influenciadores acabariam com as agências. Agora chegou a inteligência artificial e, pelo que se ouve em algumas previsões, vai acabar com quase todo mundo.
Tenho certa cautela com essas certidões de óbito. Principalmente porque costumamos confundir o fim de uma ferramenta, de um formato ou de uma maneira de trabalhar com o fim daquilo que lhe deu origem.
O marketing mudou. E continuará mudando. A propaganda também.
Aliás, se existe uma característica permanente em nossa atividade é justamente sua capacidade de mudar.
Saímos do anúncio impresso para o rádio, do rádio para a televisão, da televisão para a internet, da comunicação de massa para a segmentação, dos poucos dados para uma avalanche deles. Hoje falamos em algoritmos, automação, inteligência artificial, personalização, creators, retail media e tantas outras coisas que provavelmente ganharão novos nomes daqui a pouco.
Tudo isso transforma profundamente a maneira de fazer marketing. Mas não elimina a razão pela qual ele existe. Porque existe uma verdade muito mais simples no meio dessa discussão toda:
“Enquanto houver alguém produzindo e alguém comprando, haverá sempre uma atividade de marketing e uma campanha de propagnada”.
Pode mudar de nome. Pode usar ferramentas que ainda nem conhecemos. Pode abandonar práticas que hoje consideramos indispensáveis. Mas alguém continuará precisando entender o que as pessoas querem, necessitam ou desejam.
Alguém terá que decidir o que oferecer. Por quanto vender. Onde colocar. Como diferenciar. Como tornar conhecido. Como convencer alguém a experimentar. E, principalmente, por que escolher aquela marca e não outra.
Podemos chamar isso do nome que quisermos no futuro. Hoje ainda chamamos de marketing.
E enquanto existirem marcas disputando atenção, preferência e um lugar na memória das pessoas, haverá também propaganda. A inteligência artificial certamente fará muitas coisas que profissionais de marketing fazem hoje. Produzirá textos, imagens, filmes, pesquisas, análises e milhares de versões de uma campanha em segundos.
Ótimo. Mas existe uma diferença entre fazer marketing e usar ferramentas para fazer marketing.
Ferramentas envelhecem. Princípios, nem tanto.
Pessoas continuarão fazendo escolhas. Comparando. Desejando. Experimentando. Gostando. Rejeitando. Recomendando. Trocando uma marca por outra.
E empresas continuarão tentando entender por quê.
Essa relação entre quem oferece alguma coisa e quem decide comprá-la existe há muito mais tempo do que qualquer plataforma digital.
O que está morrendo, portanto, não é o marketing. São algumas maneiras de fazê-lo.
E ainda bem.
Porque uma profissão que não abandona velhos hábitos diante de um mundo novo não preserva sua história. Preserva sua obsolescência.
Talvez a pergunta correta não seja se o marketing vai morrer. A pergunta deveria ser: que marketing conseguirá sobreviver?
Provavelmente aquele que entender que tecnologia não substitui estratégia, dados não substituem interpretação, velocidade não substitui direção e inteligência artificial não elimina a necessidade de compreender pessoas. O resto mudará. Como sempre mudou.
Portanto, não vejo razão para preparar o funeral do marketing. Enquanto existir alguém produzindo alguma coisa e alguém disposto a comprar, haverá uma ponte entre os dois.
Essa ponte é o marketing e a sua ferramenta: a propaganda.
E enquanto for necessário contar ao mundo que aquilo existe, explicar por que importa e fazer com que seja lembrado, haverá propaganda. Podem mudar os meios, as ferramentas, os formatos e até os nomes. A necessidade continuará exatamente onde sempre esteve.
(Crédito: Divulgação)
