Emagrecer é uma coisa. Manter o peso exige muito mais do que seguir uma dieta

Redação
4 min. leitura

Endocrinologista Carolina Mantelli explica por que o pensamento de “tudo ou nada” pode comprometer os resultados e como a flexibilidade ajuda a evitar o reganho de peso

Perder peso exige mudanças na alimentação, prática de atividade física e acompanhamento profissional. Mas manter os resultados ao longo dos anos representa um desafio ainda maior. Isso porque o sucesso do emagrecimento não depende apenas de conhecer as regras de uma alimentação equilibrada, mas também da maneira como cada pessoa reage aos imprevistos, ao estresse e aos momentos em que não consegue seguir o planejamento.

Segundo a endocrinologista e metabologista Dra. Carolina Mantelli, um dos principais obstáculos está na ideia de que qualquer deslize representa o fracasso de todo o processo.

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“Muitas pessoas sabem exatamente o que precisam fazer para emagrecer. O problema aparece quando saem da rotina e acreditam que perderam tudo o que conquistaram. Uma refeição fora do planejado não compromete o tratamento. O que pode prejudicar os resultados é transformar esse episódio em motivo para desistir”, explica a médica.

Esse comportamento, conhecido como pensamento de “tudo ou nada”, leva a pessoa a interpretar pequenas mudanças no planejamento como derrotas. Estudos sobre comportamento alimentar associam esse padrão a maior dificuldade para manter o peso, principalmente porque ele favorece o abandono de hábitos saudáveis após episódios isolados de excesso.

Na literatura científica, esse fenômeno também aparece associado ao chamado what the hell effect, expressão utilizada para descrever a tendência de exagerar ainda mais depois de acreditar que a dieta já foi comprometida.

“É aquela situação em que a pessoa come algo fora do planejado e pensa: já que saí da dieta, vou aproveitar o restante do dia e recomeçar na segunda-feira. Esse raciocínio cria um ciclo de restrição, culpa e descontrole que pode dificultar a manutenção do emagrecimento”, destaca Carolina.

A especialista explica que existe uma diferença importante entre um deslize pontual e o abandono definitivo de uma mudança de comportamento. Comer além do habitual em uma ocasião não significa retornar aos antigos hábitos. A forma como a pessoa interpreta essa experiência pode determinar sua capacidade de retomar o planejamento.

Outro ponto importante é a chamada restrição alimentar flexível, abordagem que permite adaptações à rotina sem transformar a alimentação em um conjunto de proibições absolutas. Pesquisas associam esse comportamento a maior estabilidade do peso e menor risco de episódios de descontrole alimentar, em comparação com padrões excessivamente rígidos.

“Não precisamos buscar perfeição, mas consistência. Se a pessoa não consegue fazer uma hora de exercício, pode fazer quinze minutos. Se não encontra a refeição ideal, pode escolher a melhor opção disponível. O importante é não abandonar todo o esforço porque alguma coisa saiu diferente do previsto”, orienta.

O acompanhamento profissional também exerce papel importante nesse processo. Além de avaliar fatores hormonais, metabólicos e clínicos que influenciam o peso, o tratamento pode ajudar o paciente a construir estratégias realistas para enfrentar dificuldades e prevenir o reganho.

Para Carolina Mantelli, compreender que o emagrecimento não acontece de maneira linear é fundamental para alcançar resultados duradouros.

“O verdadeiro desafio não é nunca sair da rotina, mas aprender a voltar para ela. Quem entende que um deslize não apaga todo o progresso consegue construir uma relação mais equilibrada com a alimentação e aumentar suas chances de manter os resultados a longo prazo”, conclui a endocrinologista.

(Crédito: Divulgação)

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