Do loiro ao ruivo: por que cada vez mais mulheres estão apostando em tons acobreados neste inverno

Redação
7 min. leitura

Naturalidade, tons quentes e cabelos mais saudáveis impulsionam a procura pelos ruivos. A hair stylist e colorista Thay Sant’Anna explica por que a transformação exige planejamento técnico para evitar manchas, desbotamento precoce e danos aos fios.

Durante anos, o loiro ocupou o posto de protagonista absoluto nos salões de beleza brasileiros. Platinado, perolado, champagne ou amanteigado. Quanto mais claro, melhor. Agora, esse cenário começa a mudar. Neste inverno, os tons acobreados voltaram ao radar das consumidoras e aparecem entre os pedidos mais frequentes de quem deseja renovar o visual sem abrir mão da elegância e da naturalidade.

A mudança acompanha uma transformação no comportamento de consumo. Em vez de mudanças radicais, cresce a busca por cabelos que valorizem a identidade de cada mulher, respeitem as características naturais dos fios e exijam menos processos químicos agressivos. O movimento também acompanha um mercado que segue aquecido. Segundo a Euromonitor International, o Brasil permanece entre os maiores mercados de beleza e cuidados pessoais do mundo, enquanto a indústria nacional de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos faturou mais de R$ 167 bilhões em 2024, de acordo com a ABIHPEC, consolidando o país entre os principais consumidores globais do setor. Dentro desse cenário, os serviços de coloração continuam entre os mais procurados nos salões, impulsionados pela busca por resultados personalizados e pela valorização da saúde capilar.

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Para a hair stylist e colorista profissional Thay Sant’Anna, o crescimento dos ruivos vai muito além da mudança de estação.

“Percebo uma mudança muito clara no comportamento das clientes. Durante muito tempo, muitas chegavam pedindo o loiro mais claro possível. Hoje elas querem um cabelo bonito, sofisticado, que combine com a personalidade delas e que tenha uma aparência mais natural. Os tons acobreados e quentes, entregam exatamente isso.”

Os chamados “ruivos naturais” pouco lembram o vermelho intenso que marcou outras décadas. As tonalidades que mais aparecem nos salões hoje são cobre dourado, ginger, terracota, canela e strawberry blonde, desenvolvidas para criar luminosidade e profundidade sem perder a naturalidade.

A mudança parece simples. Mas é uma das transformações mais complexas da colorimetria.

Apesar de muitas mulheres imaginarem que basta substituir uma tinta loira por uma ruiva, a transição exige um estudo detalhado da estrutura do cabelo.

Isso porque a descoloração elimina boa parte dos pigmentos naturais presentes na fibra capilar. Sem reconstruir essa base, a nova cor dificilmente apresentará uniformidade, brilho ou durabilidade. Então é um processo.

“O maior erro é acreditar que existe uma fórmula pronta. Cada cabelo reage de uma forma. Quando essa avaliação não acontece, o resultado pode ficar opaco, manchado ou perder intensidade muito rapidamente.”

Antes de iniciar a transformação, Thay explica que realiza um diagnóstico completo dos fios.

São avaliados fatores como:

histórico de descolorações;

colorações anteriores;

progressivas ou outros processos químicos;

resistência da fibra capilar;

nível de porosidade;

fundo de clareamento;

subtom da pele;

contraste natural da cliente;

necessidade de pré-pigmentação;

neutralização de pigmentos residuais.

“Não escolhemos apenas uma cor bonita. Escolhemos uma cor que faça sentido para aquela pessoa.”

A técnica que faz toda a diferença

Um dos processos mais importantes da transição chama-se pré-pigmentação, etapa pouco conhecida fora dos salões especializados.

Quando o cabelo passa por sucessivas descolorações, perde justamente os pigmentos quentes responsáveis pelos tons acobreados. Antes da coloração definitiva, esses pigmentos precisam ser devolvidos aos fios.

“É como reconstruir a base de uma pintura. Se essa etapa não acontece, o ruivo dificilmente terá profundidade, brilho, durabilidade e fixação”

Dependendo do histórico químico, também pode ser necessário neutralizar reflexos acinzentados, esverdeados ou frios deixados por descolorações anteriores.

Nem todo cabelo está preparado para a mudança

Outro ponto pouco conhecido é que nem sempre a transformação acontece na primeira visita ao salão.

Segundo Thay, cabelos fragilizados por anos de descoloração podem precisar de semanas ou até meses de recuperação antes de receber uma nova coloração.

“Às vezes a cliente chega decidida a mudar naquele dia. Mas nosso compromisso é preservar a saúde dos fios. Em alguns casos, é melhor reconstruir o cabelo primeiro para que a transformação aconteça com segurança.”

Estudos publicados no International Journal of Trichology mostram que processos repetitivos de descoloração reduzem proteínas estruturais da fibra capilar, aumentam a porosidade e diminuem a resistência mecânica dos fios, tornando-os mais suscetíveis à quebra quando novas químicas são realizadas sem o preparo adequado.

Os erros que mais comprometem o resultado

Na avaliação da hair stylist, a maioria das correções de cor acontece porque etapas importantes foram ignoradas.

Entre os erros mais comuns estão:

escolher a tonalidade apenas por referências das redes sociais;

desconsiderar o histórico químico do cabelo;

aplicar coloração sobre fios extremamente sensibilizados;

dispensar a pré-pigmentação;

utilizar tinturas de uso doméstico sem avaliação profissional;

acreditar que um mesmo tom produzirá o mesmo efeito em pessoas diferentes.

“O ruivo mais bonito é aquele construído para cada cliente. A cor precisa conversar com a pele, com os olhos, com a textura dos fios e até com a rotina de manutenção.”

O cuidado continua depois da coloração

Ao contrário do que muita gente imagina, abandonar o loiro não significa diminuir os cuidados.

Os pigmentos acobreados apresentam maior tendência ao desbotamento, principalmente quando os fios são expostos ao calor excessivo, radiação solar, cloro e lavagens frequentes.

Por isso, a manutenção inclui shampoos específicos para cabelos coloridos, máscaras pigmentantes, proteção térmica, hidratações periódicas e tonalizações conforme a necessidade.

“O resultado não depende apenas do dia em que a cliente sai do salão. Ele começa no diagnóstico, passa pela técnica utilizada e continua na rotina de cuidados em casa.”

Mais do que uma tendência

Para Thay Sant’Anna, o retorno dos ruivos traduz uma mudança na forma como as mulheres enxergam a própria beleza.

“Hoje elas não procuram apenas uma mudança de cor. Procuram um cabelo que expresse personalidade, valorize seus traços e reflita quem realmente são. Acho que esse é o maior motivo para o crescimento dos ruivos naturais.”

(Crédito: iStock)

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