Dia Mundial do Coração: exames antigos ajudam a acompanhar mudanças no colesterol

Redação
4 min. leitura

OMS estima que 39% dos adultos no mundo tenham colesterol total elevado; comparar resultados ao longo dos anos dá mais contexto à avaliação médica

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2022, provocaram cerca de 20 milhões de mortes, o equivalente a 32% dos óbitos globais. Desse total, 85% decorreram de infartos ou acidentes vasculares cerebrais (AVCs). No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, a MYME, healthtech brasileira voltada à organização do histórico de saúde, chama atenção para a importância de acompanhar indicadores como colesterol, glicemia e pressão arterial ao longo do tempo.

Um exame isolado mostra a condição do paciente no momento em que foi realizado. A comparação de resultados de diferentes anos permite observar se um indicador permaneceu estável, aumentou, diminuiu ou apresentou mudanças durante um tratamento ou após alterações de hábitos.

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“Quando o paciente reúne exames de diferentes anos, o médico consegue enxergar melhor a trajetória daquele indicador, e não apenas uma fotografia isolada. Isso ajuda a levar mais contexto para o atendimento ou para a consulta”, afirma Lucas Santiago, cofundador da MYME.

Reconstituir esse histórico, porém, nem sempre é simples. Um resultado pode estar no aplicativo de um laboratório, outro no e-mail, enquanto exames mais antigos permanecem em papel ou nos sistemas de diferentes instituições. Reunir os documentos em ordem cronológica facilita a consulta e a comparação.

O que acompanhar?

Não há uma lista única de exames válida para todas as pessoas. Idade, histórico familiar, diabetes, hipertensão, tabagismo e outras condições entram na avaliação do risco cardiovascular. Entre as informações que podem compor o histórico estão colesterol total, LDL, HDL, triglicérides, glicemia, pressão arterial, medicamentos em uso e antecedentes familiares.

Ferramentas digitais podem ajudar a reunir esses registros. Na MYME, o usuário pode enviar até 20 exames simultaneamente. Os documentos são organizados em ordem cronológica, e os resultados extraídos passam a integrar um painel de métricas de saúde. Nele, é possível consultar os exames mais recentes e identificar valores fora das referências indicadas nos próprios documentos.

A plataforma não faz diagnósticos nem substitui a avaliação médica. “O papel da tecnologia é organizar a informação e facilitar o acesso ao histórico. A interpretação dos resultados continua sendo do profissional de saúde”, afirma Santiago.

O histórico também pode ser compartilhado por quem participa dos cuidados de outra pessoa. A plataforma permite criar perfis de dependentes e dividir sua gestão com outros responsáveis, como familiares e cuidadores de um idoso. “A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, diz Santiago.

A proteção dessas informações é outro ponto de atenção no setor de saúde, especialmente diante de episódios de vazamento de dados confidenciais. Cofundador e desenvolvedor da MYME, Gabriel Barros é engenheiro de software, trabalhou por 12 anos no Yahoo Internacional e liderou um projeto de isolamento de dados sensíveis com Google e Microsoft. Segundo ele, “a construção da infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de saúde exigem um nível máximo de proteção e controle pelo usuário”.

(Crédito: Unsplash)

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