Produtos como Amor de Mãe se adaptaram à rotina de combate à COVID-19 (Foto: Divulgação/Gshow)
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Um novo olhar para a TV – Coronavírus

Em 2020, tudo mudou. Ao redor do mundo, as pessoas tiveram suas rotinas alteradas pela pandemia do coronavírus e pelas medidas de isolamento social, aplicadas para evitar a propagação da Covid-19. Permanecer em casa por mais tempo causou grandes mudanças nos hábitos e nas relações, incluindo, de forma inevitável, as de consumo. E neste sentido, a busca por conteúdo se intensificou ainda mais na pandemia.

As emissoras de TV se viram desfalcadas de produtos inéditos e de apresentadores veteranos como Faustão, Silvio Santos e Raul Gil. Em meio a isso, buscou manter o telespectador com soluções caseiras e arquivos de produtos que fizeram história. Mas a pergunta que fica, o que a TV fez de tão diferente para as pessoas sentirem prazer em querer os seus produtos? Absolutamente nada, a TV só foi ela mesma e reiterou com as medidas de proteção como o distanciamento, álcool em gel, máscara, confinamento, espaço de circulação exclusivo, dentre outros itens. A Globo, por exemplo, proibiu viagens internacionais e passou a estudar a suspensão de pessoas na plateia.

Conversa com Bial foi um dos programas que mais conseguiu se reinventar durante a pandemia
(Foto: Reprodução/ Globoplay)

Programas tradicionais da casa como o “Domingão do Faustão” e “Altas Horas” recorreram às reprises, enquanto o “Encontro com Fátima Bernardes” e “Mais Você”, foram suspensos por um determinado tempo. O “Caldeirão do Huck”, como já tinha muito conteúdo gravado, passou meses a fio exibindo inéditos, sempre com a participação do público de maneira remota.

As novelas também passaram por mudanças. Com o retorno de maneira gradual, a Record foi por algum tempo a única a ter uma trama inédita no ar (“Amor Sem Igual”), enquanto a Globo viu no seu enorme acervo, uma espécie de “escudo” para produzir a conta-gotas. Até efeitos especiais em abraços e beijos foram utilizados, em uma realidade completamente diferente, como ocorreu durante as gravações de “Amor de Mãe” que retornou a programação global no último dia 1°.

Paredão com Manu Gavassi e Felipe Prior no BBB 20, renderam bons êxitos ao programa
(Foto: Reprodução/ Globoplay)

Ao passo que de uma hora para outra ficamos sem produtos inéditos na TV, com exceção do jornalismo, o “Big Brother Brasil”, que vinha de uma edição fracassada 2019, mas que anuncia uma história para 2020, viu sua temporada explodir e ocupar um lugar diferente nos lares dos brasileiros, com clima de Copa do Mundo em provas e eliminações. Aliás, a Globo quebrou o protocolo e informou aos brothers como estava o mundo exterior com a doença.

A partir daí, um novo caminho se abriria para o gênero, que passou a surfar em altos índices de audiência. “A Fazenda 12” acabou se aproveitando do cenário pandêmico e atingiu níveis como há 10 anos não se via. O sucesso se repete com o BBB21, cravando números de aproximadamente 40 pontos na Grande São Paulo.

Chegada da CNN ao Brasil trouxe novos rumos ao Jornalismo (Foto: Reprodução/ CNN Brasil)

Por fim, falamos do Jornalismo e a sua essencialidade neste período tão difícil. As emissoras passaram a dar mais destaque à ele. Como recompensa, níveis de audiência como há muito não se via, principalmente entre os canais de notícias CNN Brasil e Globonews, que tornaram-se grandes preferências do público na pandemia, assim como o tradicional canal Viva, um dos líderes de audiência da TV Paga.

Diante de todos os fatos citados acima, mostra-se que a Televisão ainda possui fôlego para enfrentar situações delicadas, como a do coronavírus atualmente. Mas para isso, é necessário manter o papel que teve durante a pandemia, de ser ela mesma, e a partir daí, entender o seu telespectador, que vive em constante evolução, assim como o mundo atual.

Gabriel Ferreira – Estudante de Jornalismo

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2 Comments

  1. Excelente conteúdo!

    1. Obrigado Fran, um abraço!

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