Dai Rocha, CEO da Ragatanga, avalia futuro da creator economy no Brasil

Direto de PE
4 min. leitura

Para Dai Rocha, agências têm papel estratégico na ampliação de oportunidades e na construção de um mercado mais representativo e conectado com as transformações da audiência

Em um mercado historicamente liderado por homens, cada vez mais mulheres têm ocupado espaços estratégicos e redefinido a forma de fazer negócios. Para Dai Rocha, CEO da Agência Ragatanga, essa transformação passa não apenas pela presença feminina em cargos de liderança, mas também pela valorização de diferentes formas de gestão, relacionamento e construção de carreira.

À frente de uma agência que representa criadores de conteúdo de diferentes perfis e trajetórias, Dai acredita que seu principal diferencial como empreendedora foi justamente compreender que não precisava reproduzir modelos tradicionais de liderança para alcançar resultados.

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“O maior aprendizado foi parar de tentar encaixar minha liderança em moldes que não foram feitos para mim e confiar que a forma feminina de construir é tão legítima, tão poderosa e tão eficiente quanto qualquer outra”, afirma.

Segundo a executiva, a discussão sobre a presença feminina em posições estratégicas não pode ser reduzida a uma questão individual. Para ela, o desafio é estrutural e exige mudanças que começam na educação e se refletem nas empresas.

“Precisamos criar ambientes onde mulheres tenham não apenas espaço, mas autonomia, orçamento, voz e poder de decisão. Liderança não pode ser apenas um símbolo de diversidade. Precisa ser uma prática real”, destaca.

Foi justamente a partir desse olhar que nasceu a Ragatanga. Mais do que trabalhar números e métricas, a agência construiu seu modelo de atuação a partir da escuta ativa dos talentos que representa.

“A primeira pergunta que fazemos não é sobre seguidores ou alcance. É sobre o que aquela pessoa quer construir para a própria vida. Entendemos seus sonhos, objetivos e valores antes de desenhar qualquer estratégia”, explica.

Essa abordagem também influencia diretamente a forma como a agência enxerga diversidade e representatividade. Para Dai, as agências ocupam uma posição privilegiada entre talentos e marcas e, por isso, possuem responsabilidade direta na ampliação de oportunidades para grupos historicamente sub-representados.

“Temos a escolha diária de reproduzir o que sempre foi feito ou abrir novos caminhos. Eu escolho abrir. Representatividade não pode ser tratada como uma cota. Ela precisa refletir a realidade da audiência e da sociedade”, afirma.

A empresária acredita que marcas e consumidores já compreenderam o valor da autenticidade e que campanhas baseadas em diversidade genuína geram conexão, identificação e resultados concretos.

Olhando para o futuro, Dai aponta que a creator economy vive um momento de amadurecimento impulsionado por novas tecnologias, inteligência artificial, comunidades de nicho e pela profissionalização dos criadores de conteúdo. Ainda assim, ela acredita que o principal ativo continuará sendo humano.

“A tecnologia vai transformar processos, formatos e ferramentas, mas existe algo que nenhuma inovação consegue substituir: autenticidade, conexão humana e propósito. São esses elementos que constroem comunidades, geram confiança e sustentam carreiras de longo prazo.”

Para a CEO da Ragatanga, o futuro do mercado pertence às marcas, criadores e empresas que compreenderem que, em meio a tantas transformações, as pessoas continuam buscando a mesma coisa: sentir-se vistas, representadas e pertencentes.

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