Sangramento durante a escovação, retração gengival e inflamações não são normais e podem comprometer não apenas os dentes naturais, mas também o sucesso de um implante dentário. Especialista alerta que a saúde da gengiva é a base para qualquer reabilitação oral.
Quando um paciente perde um dente, a primeira pergunta costuma ser: “Quando posso colocar um implante?”. Poucos imaginam, porém, que a resposta nem sempre depende apenas da ausência do dente ou da quantidade de osso disponível.
Antes de pensar no implante, é preciso avaliar a saúde da gengiva.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas em todo o mundo. Entre elas, a doença periodontal grave acomete aproximadamente 1 bilhão de pessoas e está entre as principais causas de perda dentária em adultos.
Apesar disso, muita gente ainda considera normal perceber sangue durante a escovação ou ao passar o fio dental.
“Esse é um dos maiores mitos da odontologia. Gengiva saudável não sangra. O sangramento é um sinal de inflamação e deve ser investigado o quanto antes. Quando o paciente ignora esse sintoma, a doença pode evoluir silenciosamente e comprometer não apenas os dentes naturais, mas também a possibilidade de realizar um implante com segurança”, explica o cirurgião-dentista Dr. Alexandre Parreira, especialista em Periodontia, Implantodontia e Odontologia do Trabalho, responsável técnico pelo Instituto Novus Odontologia Moderna e habilitado pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO) para a utilização da sedação consciente inalatória.
A inflamação da gengiva começa, na maioria das vezes, como uma gengivite. Nessa fase, o paciente pode apresentar vermelhidão, inchaço, sangramento durante a higiene bucal e mau hálito. Quando não tratada, a doença pode evoluir para a periodontite, uma condição mais grave que afeta os tecidos de sustentação dos dentes e provoca perda óssea.
É justamente essa perda de suporte que pode levar à mobilidade e, posteriormente, à perda do dente.
Segundo a Federação Europeia de Periodontologia, a periodontite é uma das principais causas de perda dentária no mundo e está associada, ainda, a doenças sistêmicas como diabetes e doenças cardiovasculares.
“Perder um dente raramente acontece de um dia para o outro. Na maioria das vezes, existe um histórico de inflamação gengival que foi evoluindo ao longo dos anos sem causar dor significativa. Quando o paciente percebe que o dente está mole, a doença já está em um estágio avançado”, afirma o Dr. Alexandre.
O implante começa muito antes da cirurgia
Um dos maiores equívocos é acreditar que o implante resolve sozinho o problema da perda dentária.
Antes da cirurgia, é necessário avaliar cuidadosamente a qualidade da gengiva, do osso e das condições gerais de saúde do paciente.
“A gengiva é a base de todo o tratamento. Ela precisa estar saudável para receber o implante e garantir estabilidade ao longo dos anos. Não adianta substituir um dente perdido se a doença periodontal continua ativa.”
Na rotina do Instituto Novus, essa situação é mais comum do que muitos imaginam.
Recentemente, um paciente procurou a clínica decidido a colocar um implante para substituir um molar perdido. Durante a avaliação, porém, a equipe identificou uma periodontite avançada que comprometia outros dentes e os tecidos de sustentação.
Antes de qualquer procedimento cirúrgico, foi necessário controlar a inflamação, realizar o tratamento periodontal e estabilizar toda a saúde bucal.
Somente após essa etapa o implante pôde ser realizado.
“Quando tratamos primeiro a causa da perda dentária, aumentamos significativamente as chances de sucesso do implante e preservamos os demais dentes do paciente”, explica Dr. Alexandre.
Implante também exige manutenção
Outro mito bastante comum é acreditar que o implante não precisa de cuidados por não ser um dente natural.
Na prática, a higiene bucal continua sendo fundamental.
Assim como os dentes naturais, os implantes podem sofrer inflamações ao redor dos tecidos de suporte quando não recebem os cuidados adequados.
Essa condição, conhecida como peri-implantite, pode comprometer a estabilidade do implante e levar à perda da estrutura instalada.
“O implante devolve função, estética e qualidade de vida, mas ele não elimina a necessidade de acompanhamento periódico. O paciente continua precisando cuidar da gengiva, manter uma boa higiene e comparecer às consultas de revisão.”
Prevenção ainda é o melhor tratamento
Grande parte das doenças periodontais pode ser evitada com consultas preventivas e diagnóstico precoce.
Mesmo pessoas que não sentem dor devem realizar avaliações periódicas.
“O paciente costuma procurar ajuda apenas quando perde um dente ou quando o problema já está avançado. Nosso objetivo é justamente evitar que isso aconteça. Quando conseguimos identificar uma inflamação no início, preservamos dentes naturais, evitamos tratamentos mais complexos e oferecemos melhores condições para qualquer reabilitação futura.”
Para o Dr. Alexandre, a principal mensagem é simples.
“As pessoas costumam dizer que perderam um dente. Mas, na maioria das vezes, elas perderam primeiro a saúde da gengiva. O dente foi apenas a consequência.”
BOX
Cinco sinais de que sua gengiva precisa de atenção
Sangramento durante a escovação ou uso do fio dental.
Gengiva inchada ou avermelhada.
Mau hálito persistente.
Sensibilidade ou retração gengival.
Dentes com mobilidade ou sensação de estarem “amolecendo”.
(Crédito: Divulgação)
