Primavera além das flores: por que a mudança de estação faz empresas renovarem a experiência dos clientes

Redação
6 min. leitura

Muito além da decoração e das vitrines, a chegada da primavera marca um período de renovação para empresas que investem na experiência do cliente. Ambientes, aromas, iluminação e identidade sensorial passam a fazer parte da estratégia de negócios para fortalecer conexões e tornar marcas mais memoráveis.

A primavera sempre simbolizou recomeços. Depois dos meses mais frios do ano, a natureza muda de ritmo, as cidades ganham novas cores e a sensação de renovação influencia também o comportamento das pessoas. Não por acaso, setembro costuma ser um período estratégico para o comércio e para empresas de diferentes segmentos, que aproveitam a estação para renovar vitrines, lançar campanhas e preparar o terreno para o último trimestre do ano.

Mas essa transformação vai muito além das flores.

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Cada vez mais empresas têm entendido que renovar a experiência do cliente pode ser tão importante quanto lançar um novo produto. E essa renovação começa antes mesmo de qualquer atendimento acontecer.

A iluminação, a organização do ambiente, a música e até o aroma passaram a ser elementos estratégicos para construir uma experiência capaz de gerar conexão emocional e fortalecer a lembrança da marca.

Segundo levantamento da PwC, 73% dos consumidores afirmam que a experiência oferecida por uma empresa é um fator decisivo na hora de comprar um produto ou contratar um serviço. Apesar disso, mais da metade acredita que as empresas ainda deixam a desejar quando o assunto é experiência do cliente.

Essa mudança explica por que conceitos como branding sensorial e branding olfativo deixaram de ser exclusividade de grandes redes de hotéis ou do varejo de luxo para chegar a clínicas, consultórios, imobiliárias, escritórios, restaurantes e pequenos negócios.

Para a perfumista e aromaterapeuta Rebeca Galhardo, fundadora da Cadeaux Brasil, o consumidor passou a perceber aspectos que antes passavam despercebidos.

“Quando uma pessoa entra em um ambiente, ela começa a construir uma percepção antes mesmo de conversar com alguém. Ela observa a iluminação, a organização, sente a temperatura do espaço e percebe o aroma. Tudo isso comunica.”

A experiência começa antes do atendimento

Durante muito tempo, empresas concentraram seus investimentos em atendimento, preço e qualidade do produto.

Hoje esses fatores continuam importantes, mas deixaram de ser suficientes.

O consumidor busca lugares onde se sinta confortável, acolhido e representado.

Essa percepção fez surgir uma preocupação maior com aquilo que os especialistas chamam de experiência sensorial, um conjunto de estímulos que envolve visão, audição, tato e olfato para criar uma jornada mais agradável.

“O cheiro é um dos poucos elementos que conseguem criar uma lembrança emocional sem que a pessoa perceba racionalmente. Ele faz parte da experiência de forma muito natural”, explica Rebeca.

O branding olfativo cresce entre pequenas e médias empresas

Durante anos, a identidade olfativa foi associada apenas a grandes marcas internacionais.

Hoje essa realidade mudou.

Clínicas médicas, consultórios odontológicos, escritórios de advocacia, salões de beleza, cafeterias, incorporadoras e até pequenos comércios passaram a procurar fragrâncias exclusivas para fortalecer sua identidade.

Mais do que perfumar um ambiente, a proposta é criar uma assinatura sensorial coerente com os valores da empresa.

“Cada negócio transmite uma sensação diferente. Um consultório precisa inspirar tranquilidade. Uma cafeteria pode despertar acolhimento. Um escritório pode transmitir elegância e profissionalismo. O aroma precisa conversar com aquilo que a empresa deseja comunicar.”

Segundo Rebeca, um dos erros mais comuns é acreditar que basta escolher um perfume agradável.

“Branding olfativo não é escolher um cheiro bonito. É desenvolver uma identidade. Da mesma forma que uma empresa não copia o logotipo do concorrente, ela também não deveria copiar sua assinatura olfativa.”

Renovar também é comunicar

A chegada da primavera costuma estimular pequenas mudanças no ambiente físico das empresas.

Trocam-se plantas, reorganizam-se vitrines, atualizam-se campanhas e surgem novos elementos visuais.

Para Rebeca, esse é o momento ideal para olhar também para a experiência que o cliente vive dentro daquele espaço.

“Às vezes a empresa investe em uma grande reforma, mas esquece detalhes que influenciam diretamente a percepção das pessoas. A experiência é construída por pequenos elementos trabalhando juntos.”

Ela destaca que iluminação, aroma, conforto térmico, organização e atendimento precisam conversar entre si.

Quando essa coerência existe, o ambiente passa a comunicar os valores da marca de forma muito mais natural.

Uma tendência que deve ganhar força

Especialistas em comportamento apontam que os próximos anos serão marcados pela valorização da chamada economia da experiência, em que empresas deixam de vender apenas produtos ou serviços para construir momentos memoráveis.

Nesse cenário, o branding sensorial tende a ganhar ainda mais espaço.

Mais do que oferecer um bom atendimento, será necessário criar ambientes capazes de despertar emoções positivas e permanecer na memória do consumidor.

“A primavera nos lembra que renovar nem sempre significa mudar tudo. Muitas vezes, pequenas transformações são suficientes para criar uma experiência completamente diferente. Isso vale para as pessoas e também para as empresas”, conclui Rebeca.

(Crédito: Arquivo Pessoal)

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