Misturar metais, durante muito tempo considerado um erro de moda, ganha espaço em 2026 e vira recurso de styling; consultora de imagem explica como combinar dourado e prata sem deixar o visual carregado
Dourado ou prateado? Durante décadas, essa foi uma das primeiras escolhas na hora de montar uma produção. Se o brinco era dourado, o colar deveria acompanhar. Relógio, pulseiras, anéis e até a ferragem da bolsa entravam na conta. Misturar metais era frequentemente tratado como um erro.
Em 2026, essa regra perdeu força.
A combinação de metais aparece entre as tendências de acessórios do ano e acompanha um movimento maior da moda em direção a produções menos rígidas, mais personalizadas e construídas a partir do estilo individual.
Um levantamento divulgado pela publicação especializada Professional Jeweller, com base na análise de mais de 200 termos relacionados a joias e acessórios no Google Keyword Planner no Reino Unido, mostrou que as buscas por peças mixed metal cresceram 22% em um ano. A prata, que voltou a ganhar espaço importante nas tendências de 2026, apresentou alta de 22% nas buscas no período de três meses analisado.A tendência também foi apontada pela British Vogue entre os principais movimentos da joalheria em 2026. A publicação destaca tanto a retomada da prata quanto o crescimento da procura por peças que combinam diferentes tonalidades de metais.
Para Paula Barone, consultora de imagem e proprietária daStella B, o movimento representa mais do que uma tendência passageira.
“Durante muito tempo fomos ensinadas a escolher: ou dourado ou prateado. Só que a moda está cada vez menos presa a esse tipo de regra. Hoje, a mistura pode deixar a produção muito mais interessante, contemporânea e pessoal”, afirma.
O segredo é parecer intencional
Liberar a mistura, no entanto, não significa simplesmente colocar todos os acessórios disponíveis ao mesmo tempo.
Segundo Paula, a diferença entre um mix sofisticado e uma composição que parece aleatória está principalmente na repetição e no equilíbrio.
“O segredo do mix de metais não é fazer tudo combinar. É fazer a mistura parecer uma escolha. Quando existe alguma repetição de dourado e prata ao longo da produção, o olhar entende que aquilo foi construído intencionalmente”, explica.
A recomendação coincide com análises de tendências para 2026. A Jewelers Mutual colocou os mixed metals entre os destaques do ano e aponta proporção, acabamento e coesão como elementos importantes para que a combinação funcione visualmente.
Comece por uma peça que tenha os dois metais
Para quem passou anos separando dourados e prateados no porta-acessórios, abandonar a regra pode parecer estranho no início.
Uma maneira simples de começar é usar uma peça que já apresente os dois acabamentos.
Pode ser um colar, uma pulseira, um brinco ou até um relógio bicolor. Essa peça funciona como uma espécie de ligação visual entre os demais acessórios.
“Eu chamo de peça ponte. Quando você coloca uma peça que já traz dourado e prata, fica muito mais fácil acrescentar um colar dourado e outro prateado, por exemplo, porque o próprio acessório já estabelece essa conversa”, diz Paula.
Designs bicolores também vêm sendo apontados por marcas e especialistas do setor como uma das maneiras mais fáceis de incorporar a tendência.
O relógio não precisa determinar todo o resto
Outra regra antiga que começa a desaparecer é a necessidade de combinar todos os acessórios com o relógio.
Quem usa relógio prateado não precisa abandonar pulseiras douradas. O mesmo vale para relógios dourados combinados a acessórios prateados.
A solução pode estar justamente em repetir os dois metais no braço.
“Se o relógio é prateado, experimente colocar uma pulseira dourada e outra que tenha algum elemento prateado. De repente, aquilo que parecia uma combinação proibida passa a ter unidade”, explica a consultora.
O mesmo raciocínio vale para anéis. Em vez de separar completamente as mãos por tonalidade, dourado e prata podem aparecer juntos, principalmente quando existe algum elemento em comum entre as peças, como desenho, textura ou proporção.
E a ferragem da bolsa?
Outra dúvida comum envolve bolsas e sapatos.
Se a bolsa possui ferragem dourada, todos os acessórios precisam ser dourados?
Para Paula, não.
“A ferragem da bolsa não precisa comandar toda a produção. Ela é mais um elemento do look. Você pode ter uma bolsa com detalhe dourado e usar brincos prateados tranquilamente. Se quiser criar mais unidade, pode repetir discretamente o dourado em outra peça.”
A ideia é abandonar a necessidade de correspondência perfeita e pensar na produção como um conjunto.
Mix de colares é uma das formas mais fáceis de experimentar
Uma das maneiras mais atuais de incorporar a mistura está nos colares.
Correntes douradas e prateadas podem aparecer juntas, principalmente quando possuem comprimentos diferentes.
A diferença de tamanho evita que as peças disputem exatamente o mesmo espaço e ajuda a construir camadas.
“Você pode começar com um colar mais curto dourado e acrescentar uma corrente prateada um pouco mais longa. Depois, se quiser, entra uma terceira peça que retome um dos dois metais”, orienta Paula.
A mistura também pode acontecer em brincos, principalmente para mulheres com mais de um furo, além de pulseiras, anéis e braceletes.
Dourado para pele quente e prata para pele fria ainda é regra?
A análise de coloração pessoal ajudou a popularizar outra ideia: pessoas de subtom quente deveriam priorizar dourado, enquanto peles de subtom frio ficariam melhores com prata.
A coloração pode, sim, ser uma ferramenta para identificar quais tonalidades criam mais harmonia junto ao rosto, mas Paula alerta que ela não deveria ser transformada em proibição.
“Coloração pessoal serve para oferecer informação, não para limitar. Se uma mulher de subtom frio ama dourado, não existe motivo para abandonar todas as peças douradas. Podemos pensar em intensidade, acabamento, distância do rosto e combinação com outros elementos.”
E o próprio mix de metais pode ser uma solução para quem gosta das duas tonalidades.
Mais liberdade também significa mais uso
Existe ainda um aspecto prático nessa mudança.
Quando dourado e prata deixam de pertencer a universos separados, aumenta o número de combinações possíveis com acessórios que a mulher já possui.
Uma corrente que antes era usada apenas com outras peças douradas pode entrar em produções com brincos prateados. Um relógio deixa de limitar a escolha das pulseiras. E acessórios comprados em momentos diferentes passam a conversar entre si.
Essa flexibilidade está alinhada a uma moda que valoriza cada vez mais a personalização e versatilidade. A combinação de metais também aparece em levantamentos recentes como uma das tendências relevantes de acessórios de 2026.
Para Paula, esse talvez seja o aspecto mais interessante do movimento.
“Eu gosto dessa tendência porque ela amplia possibilidades. Você não precisa deixar metade dos acessórios guardados porque decidiu usar prata naquele dia. Pode experimentar, misturar e descobrir combinações que talvez nunca tivesse imaginado.”
E se existe uma regra para o mix de metais, ela é bem menos rígida do que as antigas normas de moda.
“Precisa existir intenção, mas também diversão. Acessório é uma forma de expressão. Quando todas as regras começam a impedir a mulher de experimentar, elas deixam de cumprir sua função”, conclui Paula Barone.
(Crédito: iStock)
