Comprar da China está a um clique mas importar bem exige método

Redação
8 min. leitura

Empresas precisam ir além do preço para avaliar qualidade conformidade logística e potencial de margem

Encontrar fabricantes chineses nunca esteve tão ao alcance das empresas. Até o fim de 2025, a China já contava com 178 zonas-piloto de comércio eletrônico transfronteiriço, estrutura que reúne milhares de negócios conectados ao comércio internacional. Para Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, empresa que atua nos segmentos de importação, distribuição e desenvolvimento empresarial, a expansão dos canais digitais encurtou a distância entre compradores brasileiros e fábricas asiáticas, mas também mudou o principal desafio da importação: mais do que localizar quem produz, é preciso saber avaliar quem consegue entregar qualidade, margem e continuidade à operação.

“Hoje um empresário consegue entrar em uma plataforma, pesquisar um item, conversar com dezenas de fábricas e receber cotações sem sair do escritório. Isso dá a impressão de que importar ficou simples. O problema começa quando ele precisa descobrir se aquele fornecedor realmente entrega o padrão prometido, se o produto funciona para o mercado brasileiro e se a conta continua boa depois que todos os custos entram”, afirma Gustavo.

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A dimensão do comércio digital chinês ajuda a explicar essa facilidade de acesso. Em 2025, as importações e exportações realizadas por meio do comércio eletrônico transfronteiriço da China alcançaram 2,84 trilhões de yuans, cerca de US$ 418 bilhões, avanço de 4,8% em um ano, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas do país. A estrutura criada em torno desse mercado aproximou fabricantes de compradores internacionais e reduziu barreiras para iniciar uma negociação.

Ter acesso ao fabricante, porém, não significa saber escolhê-lo. Uma cotação mais baixa pode esconder diferenças de matéria prima, acabamento, vida útil, embalagem, controle de qualidade ou capacidade de reposição. Para empresas que distribuem produtos no Brasil, uma decisão equivocada pode comprometer não apenas a margem daquela compra, mas também estoque, relacionamento com clientes e reputação da própria marca.

“Um dos erros é comparar duas propostas olhando somente o valor da mercadoria. Às vezes, são produtos visualmente parecidos, mas fabricados com especificações completamente diferentes. Se o empresário não sabe o que perguntar, ele pode acreditar que conseguiu economizar na compra e descobrir o prejuízo quando o produto já está no Brasil”, explica o CEO do Grupo PMD.

A complexidade também aparece antes de a carga chegar ao país. Dependendo da mercadoria, o importador precisa avaliar corretamente a classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul, o tratamento tributário e administrativo e a eventual necessidade de licenças, permissões ou anuências. Em 2026, o Siscomex manteve atualizações nos procedimentos do Portal Único, enquanto o Inmetro promoveu alterações em atributos e tratamentos administrativos de produtos sujeitos à sua aprovação.

Na prática, isso faz com que o preço apresentado pelo fornecedor seja apenas uma das variáveis da operação. Frete internacional, seguro, tributos, câmbio, armazenagem, inspeções, desembaraço e eventuais adequações precisam entrar na análise antes do pedido. O produto mais barato na origem pode não ser aquele que deixa a melhor margem depois de nacionalizado.

Para Gustavo, outro ponto crítico está na validação anterior à escala. Amostras, testes e inspeções ajudam a verificar se a mercadoria entregue corresponde à especificação negociada. Quando há desenvolvimento de marca própria, a atenção precisa ser ainda maior, já que qualquer problema será associado pelo consumidor ao nome estampado no produto e não à fábrica localizada do outro lado do mundo.

“Importar bem começa antes do pedido. É preciso entender quem está produzindo, definir especificações, testar e calcular a operação até o produto chegar ao estoque. Encontrar fornecedor virou a parte fácil. Construir uma cadeia que gere margem e consiga ser repetida com segurança é o trabalho de verdade”, ressalta Gustavo.

A própria evolução da indústria chinesa tornou essa seleção mais relevante. Em 2025, a manufatura de alta tecnologia do país cresceu 9,4%, enquanto sua participação na produção industrial de maior porte chegou a 17,1%. O avanço amplia as alternativas disponíveis aos compradores, mas também exige capacidade para diferenciar fábricas, tecnologias e padrões de produto em um universo maior de opções.

Para as empresas brasileiras, a facilidade de acesso à indústria chinesa abre espaço para operações mais estratégicas e para a construção de relações comerciais de longo prazo. A diferença está em transformar o primeiro contato em um processo estruturado, com escolha criteriosa de parceiros, conhecimento do produto, controle de qualidade e domínio dos custos. Quanto maior a oferta de fornecedores, maior também a possibilidade de encontrar soluções alinhadas à margem, ao posicionamento e aos planos de crescimento de cada negócio.

Sobre Gustavo Braz

Gustavo Braz é empresário e CEO do Grupo PMD, a maior importadora de ferramentas diamantadas do Brasil. À frente da companhia, lidera a expansão comercial e o posicionamento de mercado, tendo conduzido um crescimento de quase 600% nos últimos anos. Sua atuação é focada na estruturação de operações escaláveis, com ênfase em canais de distribuição, marcas próprias e eficiência comercial.

Com trajetória construída dentro do setor, a partir de uma base familiar com mais de cinco décadas de atuação, acumulou experiência em negociação internacional e cadeia de suprimentos. Também mantém conexão com fornecedores asiáticos e iniciativas voltadas à aproximação entre empresas brasileiras e o mercado chinês, reforçando sua atuação em estratégias comerciais com visão internacional.

Para mais informações, acesseinstagram.

Sobre o Grupo PMD

O Grupo PMD atua no mercado de ferramentas diamantadas, com foco na importação, desenvolvimento e distribuição de produtos voltados à construção civil. A empresa se posiciona como um dos principais players do segmento no Brasil, operando com marcas próprias e estrutura comercial integrada, que conecta fornecedores internacionais a uma rede de distribuidores em todo o país.

Com modelo orientado à eficiência operacional e escala, o grupo tem ampliado sua presença no mercado por meio do fortalecimento de canais de distribuição e da profissionalização da gestão comercial. A atuação inclui relacionamento direto com fabricantes asiáticos, permitindo maior competitividade em preço e portfólio, além de adaptação rápida às demandas do setor.

Para mais informações , acesseinstagram.

Fonte de pesquisa

https://www.stats.gov.cn/sj/zxfbhjd/202606/t20260603_1963865.html

https://www.stats.gov.cn/sj/zxfbhjd/202602/t20260228_1962663.html

https://www.gov.br/siscomex/pt-br/noticias/noticias-siscomex-importacao

https://english.www.gov.cn/archive/statistics/202607/22/content_WS6a606f51c6d00ca5f9a0c58b.html

(Crédito: Divulgação)

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