A transformação digital acelerou os investimentos em tecnologia dentro das empresas brasileiras. Inteligência artificial, softwares de gestão, plataformas de produtividade e automação passaram a fazer parte da rotina corporativa. No entanto, apesar do aumento dos investimentos, muitas organizações continuam enfrentando problemas de organização, comunicação interna e tomada de decisão.
Para Judá Capagio, CEO da AGROUP, o principal erro está na forma como as empresas implementam a tecnologia. Segundo ele, o excesso de ferramentas desconectadas tem criado um novo desafio para os gestores: lidar com um volume crescente de informações sem conseguir transformá-las em decisões estratégicas.
Em entrevista, o executivo explica como a inteligência artificial está mudando a gestão empresarial, por que a liderança se torna ainda mais importante em um cenário cada vez mais tecnológico e quais são os principais desafios das pequenas e médias empresas.
Muitas empresas investem em tecnologia, mas continuam desorganizadas. Onde está o problema?
O problema não está na falta de tecnologia, mas na falta de integração. Muitas empresas utilizam diversas ferramentas isoladas que não conversam entre si. Isso gera retrabalho, informações desencontradas e uma falsa sensação de organização.
A tecnologia deve simplificar a gestão, não torná-la mais complexa. Quando pessoas, operações, projetos, custos e informações financeiras estão dispersos em diferentes sistemas, o gestor perde tempo buscando dados em vez de tomar decisões.
Como a inteligência artificial está mudando a forma como gestores tomam decisões?
A inteligência artificial está transformando a gestão porque permite que as decisões deixem de ser baseadas apenas na percepção e passem a ser orientadas por dados.
O gestor não deveria gastar horas procurando informações em planilhas ou sistemas diferentes. A tecnologia precisa entregar inteligência e contexto para que ele possa focar no que realmente importa: estratégia, crescimento e resultados.
A tecnologia está substituindo gestores ou tornando a liderança ainda mais importante?
Na minha visão, a tecnologia não substitui gestores. Ela elimina tarefas operacionais para que os líderes possam exercer aquilo que nenhuma máquina consegue substituir: visão estratégica, capacidade de liderança e tomada de decisão.
Quanto mais a tecnologia evolui, mais importante se torna a figura do líder. As ferramentas existem para potencializar a gestão, não para substituir as pessoas.
Quais processos dentro das PMEs ainda são excessivamente manuais e deveriam ser automatizados?
Ainda vemos muitas pequenas e médias empresas controlando projetos, custos, fluxo de caixa, tarefas e processos internos por meio de planilhas, grupos de WhatsApp e informações espalhadas.
Isso consome tempo, aumenta a margem para erros e limita o crescimento. A automatização desses processos gera produtividade, previsibilidade e escalabilidade.
Como evitar que o excesso de ferramentas digitais acabe gerando mais confusão do que produtividade?
A resposta é simples: menos ferramentas e mais integração.
Hoje, muitas empresas utilizam cinco, seis ou até dez plataformas diferentes para realizar tarefas que poderiam estar concentradas em um único ambiente. O excesso de sistemas cria uma gestão fragmentada e dificulta a tomada de decisão.
O futuro da gestão empresarial passa por plataformas integradas?
Sem dúvidas.
O mercado está caminhando para modelos em que o gestor consegue enxergar toda a empresa em um só lugar. O futuro não está em ter mais ferramentas, mas em ter mais inteligência e menos fragmentação.
As empresas que conseguirem integrar pessoas, processos e dados terão uma vantagem competitiva importante nos próximos anos.
Inovação é apenas tecnologia ou envolve mudanças na forma de gerir pessoas e processos?
Inovação vai muito além da tecnologia.
Não adianta investir em ferramentas modernas se a cultura organizacional, os processos e a forma de liderar continuam ultrapassados. A verdadeira inovação acontece quando pessoas, processos e tecnologia trabalham juntas para gerar eficiência, produtividade e crescimento sustentável.
A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas os resultados só aparecem quando existe uma gestão preparada para utilizá-la de forma estratégica.
