A Línguagem dos AfetosBruna RichterComportamentoCulturaSaúdeSaúde Mental

“Seja a sua melhor versão”

Ouvimos muito precocemente, desde muito novos, que precisamos ser os mais bem sucedidos naquilo que nos propusermos a realizar. O aluno perfeito, o filho primoroso, o amigo extraordinário. Somos estimulados continuamente a buscar um desempenho sem falhas – e inúmeras vezes por meio da comparação. Buscam-se referências nas demais crianças, nos irmãos e primos, nos progenitores quando aindajovens.

Dessa forma, insistentemente somos atravessados por afetos que trazem tons opacos à nossa história. Algo similar a uma incompletude, uma falta, uma lacuna que não conseguimos preencher. Isso que parecem esperar de nós, tendo os outros como norte, frequentemente leva à frustração. Conduzem à percepção de que somos incapazes de alcançar as mesmas realizações que alguns apresentam em nosso entorno.

Nesses momentos se faz necessário lembrar que a única pessoa com quem deveríamos nos comparar é com nós mesmos. Fazer isso em relação aos demais é improdutivo, penoso e decepcionante. É verdade que podemos – e devemos – buscar aprimoramento pessoal. Esse anseio genuíno, por uma melhoria continuada de si, nos impulsiona. Ele nos coloca mais intimamente ligados à busca de nossa melhor versão.

Isso pode ser bastante positivo, na medida em que nos mobiliza. Como estamos intrinsecamente apoiados em nosso desejo pela afinação de nossas qualidades, nos movimentamos na direção de nosso crescimento.  Nos reportamos a nós mesmos, em variantes anteriores, para criar novos parâmetros de como gostaríamos futuramente de agir. Tornamo-nos nossa própria medida.

Desse modo, conseguimos mais facilmente contemplar nossos ganhos. Nossas conquistas são mais nítidas e nossos desafios evolutivos mais justos. Ao mantermos o foco em nós e em nosso próprio processo, eliminamos exigências desleais, cobranças infrutíferas e requisições arbitrárias. Nos concentramos em nós e em todas as nossas potencialidades, buscando, numa retrospectiva pessoal, a criação de um presente bem mais satisfatório.


Bruna Richter  é graduada em Psicologia pelo IBMR e em Ciências Biológicas pela UFRJ, pós graduanda no curso de Psicologia Positiva e em Psicologia Clínica, ambas pela PUC.     Escreveu os livros infantis: “A noite de Nina – Sobre a Solidão”, “A Música de Dentro – Sobre a Tristeza” e ” A Dúvida de Luca – Sobre o Medo”. A trilogia  versa sobre sentimentos difíceis de serem expressos pelas crianças – no intuito de facilitar o diálogo entre pais e filhos sobre afetos que não conseguem ser nomeados. Inventou também um folheto educativo para crianças relacionado à pandemia, chamado “De Carona no Corona”.  Bruna é ainda uma das fundadoras do Grupo Grão, projeto que surgiu com a mobilização voluntária em torno de pessoas socialmente vulneráveis, através de eventos lúdicos, buscando a livre expressão de sentimentos por meio da arte. Também formada em Artes Cênicas, pelo SATED, o que a ajuda a desenvolver esse trabalho de forma mais eficiente.

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