Outubro Rosa amplia debate sobre prevenção e saúde emocional das mulheres

Redação
5 min. leitura

Campanha de conscientização sobre o câncer de mama também pode ser uma oportunidade para discutir autocuidado, sobrecarga e a importância de buscar ajuda psicológica

Curitiba, outubro de 2026. O Outubro Rosa é tradicionalmente marcado por ações de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas, para o psicólogo clínico Luti Christóforo, a campanha também pode ser uma oportunidade para ampliar o olhar sobre a saúde da mulher e discutir aspectos que muitas vezes ficam em segundo plano, como saúde emocional, autocuidado e a dificuldade de priorizar as próprias necessidades. Segundo o psicólogo, a rotina de muitas mulheres é marcada pela sobreposição de responsabilidades. Trabalho, família, filhos, relacionamentos, tarefas domésticas e outras demandas fazem com que o cuidado com os outros frequentemente seja colocado à frente do cuidado pessoal. “Durante muito tempo, muitas mulheres aprenderam que deveriam cuidar de todos antes de cuidar de si mesmas. O problema é que esse ‘depois’ pode se prolongar por meses ou até anos”, afirma Luti.

Para ele, falar sobre autocuidado também significa falar sobre prevenção. Além do acompanhamento médico e da realização dos exames recomendados, é importante que a mulher esteja atenta aos sinais apresentados pelo próprio corpo e não adie a investigação de sintomas ou alterações que mereçam atenção. Esse olhar também deve incluir a saúde emocional. Ansiedade, tristeza persistente, irritabilidade, insônia, exaustão e uma sensação constante de sobrecarga podem ser sinais de que algo não está bem e, segundo o psicólogo, não deveriam ser simplesmente naturalizados como parte da rotina feminina. “A mulher pode ser forte, independente e capaz de enfrentar muitas dificuldades e, ainda assim, precisar de ajuda. Procurar apoio psicológico não significa fraqueza. Significa reconhecer que aquilo que ela sente também merece atenção”, explica.

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Luti também chama atenção para a maneira como o conceito de autocuidado é apresentado. Em uma rotina já marcada por inúmeras responsabilidades, transformar o autocuidado em mais uma lista de tarefas pode produzir justamente o efeito contrário, aumentando a sensação de culpa e insuficiência. O cuidado pode começar por atitudes possíveis dentro da realidade de cada mulher, como reconhecer o próprio cansaço, estabelecer limites, dividir responsabilidades, reservar momentos de descanso e procurar ajuda quando necessário. “Cuidar de si não precisa significar fazer grandes mudanças de uma vez. Às vezes, começa simplesmente quando a mulher reconhece que está cansada e entende que não precisa continuar suportando tudo sozinha”, afirma. O psicólogo ressalta ainda que a sobrecarga feminina não deve ser entendida apenas como uma responsabilidade individual. A divisão das tarefas domésticas, o apoio familiar, os relacionamentos e as condições de trabalho também influenciam diretamente a possibilidade de uma mulher cuidar da própria saúde.

Na avaliação de Luti, a busca por atendimento psicológico não precisa acontecer apenas quando o sofrimento já atingiu um nível elevado. A psicoterapia pode ser procurada diante de dificuldades emocionais, conflitos, sensação de sobrecarga ou mesmo quando existe a percepção de que a maneira de viver já não está fazendo sentido. “Não é necessário chegar ao limite para procurar ajuda. Muitas vezes, perceber que algo não está bem já é um motivo suficiente para buscar um espaço de escuta e reflexão”, afirma. Nesse sentido, o Outubro Rosa pode servir como um lembrete para que a mulher olhe para a própria saúde de maneira mais ampla. Além de perguntar quando foi o último exame ou consulta médica, pode ser importante perguntar também como estão o sono, as emoções, os relacionamentos, os limites e a qualidade de vida.

Para Luti Christóforo, cuidar de si não significa deixar de cuidar das pessoas que fazem parte da vida. Significa reconhecer que a própria saúde também precisa ocupar um lugar de importância. “O cuidado começa quando conseguimos olhar para nós mesmos com a mesma atenção que tantas vezes dedicamos aos outros. Prevenção também é escuta, atenção e cuidado. E cuidar de si é uma forma de respeito pela própria vida”, conclui.

Luti Christóforo
Psicólogo Clínico
CRP 08/18577
(41) 99809-8887
lutipsicologo@gmail.com
@luti.psicologo
www.youtube.com/@lutipsicologo

(Crédito: Arquivo Pessoal / Web)

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