Fotógrafo há mais de 30 anos, Marco Antonio Sá dedica sua trajetória à pesquisa e documentação fotográfica da cultura e da religiosidade popular brasileira. Mestre e doutor em Ciência da Religião pela PUC-SP, ele utiliza a fotografia como ferramenta de registro e preservação das tradições que compõem a identidade cultural do país.
Uma das imagens mais marcantes de seu trabalho foi registrada em 2016, durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário na comunidade quilombola do Mangal do Barro Vermelho, em Sítio do Mato, na Bahia. A fotografia mostra uma marujada visitando uma residência da comunidade, prática que integra a liturgia da celebração.

A marujada é uma manifestação ligada às Congadas e aos Reinados, tradições trazidas por africanos do Congo e de Angola durante o período da escravidão. Essas celebrações nasceram da fusão entre os saberes africanos e a religiosidade popular portuguesa, dando origem a uma forma singular de cristianismo africanizado.
Nesse contexto, a devoção a Nossa Senhora do Rosário tornou-se um dos principais símbolos dessa herança cultural. Entre congadeiros e reinadeiros, existe a crença de que a imagem da santa surgiu nas águas e acompanhou os negros em cortejo, narrativa que não faz parte da tradição oficial da Igreja Católica, mas que permanece viva nas manifestações populares.

Marco Antonio Sá também participou da exposição coletiva “O Registro do Olhar”, integrante da Bienal Europeia e Latino-Americana de Arte Contemporânea (BELA). Com curadoria de Edson Cardoso, a mostra reuniu fotógrafos e artistas visuais que exploram a fotografia como expressão artística e registro de memórias, destacando o cotidiano, as paisagens e as transformações da sociedade.
Por meio de seu trabalho, Marco Antonio Sá contribui para preservar e divulgar importantes manifestações culturais brasileiras, transformando suas imagens em valiosos registros da memória e da diversidade do país.
