Dr. Jorge Seba, cirurgião plástico, explica por que a lipoaspiração moderna prioriza contornos naturais e alerta que perseguir uma cintura cada vez menor pode produzir resultados artificiais
Durante muito tempo, o sucesso de uma lipoaspiração parecia ser medido pela quantidade de gordura retirada. Quanto mais fina a cintura e mais evidente a transformação, maior a impressão de que o procedimento havia “funcionado”. Hoje, a cirurgia plástica caminha em outra direção: menos obsessão por centímetros e mais atenção às proporções individuais.
A mudança acompanha também uma revisão dos corpos que durante anos dominaram as redes sociais. Cinturas extremamente marcadas, abdômens excessivamente definidos e silhuetas construídas a partir de um mesmo padrão começam a dividir espaço com resultados mais discretos, nos quais é difícil perceber exatamente onde houve intervenção.
Para o Dr. Jorge Seba, cirurgião plástico, uma boa lipoaspiração não deveria transformar anatomias diferentes em uma única silhueta.
“A lipoaspiração não é uma cirurgia para retirar o máximo possível de gordura. Nós trabalhamos com contorno corporal. Isso significa observar cintura, abdômen, flancos, quadril, costas e a relação entre essas regiões. Quando se pensa apenas em diminuir medidas, existe o risco de perder justamente aquilo que deveria orientar a cirurgia: a proporção”, explica.
Nem toda cintura precisa ser extremamente fina
Fotos de referência fazem parte dos consultórios, mas nem sempre o corpo mostrado na tela pode ou deve ser reproduzido em outra pessoa.
Estrutura óssea, largura da pelve e do tórax, distribuição de gordura, musculatura e qualidade da pele influenciam o resultado. Por isso, duas pacientes submetidas à lipoaspiração podem ter transformações completamente diferentes e igualmente harmônicas.
“Existe uma anatomia que precisa ser respeitada. Não podemos olhar para uma fotografia e prometer aquela cintura para qualquer paciente. A estrutura corporal continua existindo depois da cirurgia. Naturalidade aparece quando valorizamos as características daquela pessoa em vez de tentar encaixá-la em um desenho corporal que não pertence a ela”, afirma Jorge.
Lipo HD precisa deixar o abdômen marcado?
A popularização de técnicas de definição corporal também criou a impressão de que uma lipoaspiração sofisticada necessariamente precisa produzir sulcos muito aparentes no abdômen.
Para o cirurgião, definição e artificialidade não são sinônimos. O planejamento pode valorizar transições e sombras naturais da musculatura sem produzir um resultado excessivamente esculpido.
“Existe uma diferença entre evidenciar a anatomia e desenhar uma anatomia que parece não pertencer àquele corpo. Quanto mais sofisticada fica a cirurgia de contorno corporal, maior precisa ser o entendimento de onde retirar, quanto retirar e, principalmente, onde preservar volume. Às vezes, preservar é tão importante quanto aspirar”, explica.
Esse raciocínio ajuda a entender por que a lipoaspiração moderna não se resume ao abdômen. O cirurgião avalia a silhueta de maneira global, considerando como diferentes regiões conversam entre si.
O resultado também depende da pele
Outro ponto que frequentemente gera expectativas irreais é imaginar que retirar gordura automaticamente produzirá uma pele firme e completamente aderida.
A capacidade de retração varia conforme idade, genética, qualidade da pele, oscilações de peso, gestações anteriores e grau de flacidez. Em determinados casos, a lipoaspiração isolada pode não ser suficiente para atingir o resultado desejado.
“Se existe excesso importante de pele, simplesmente retirar mais gordura não resolve a flacidez e pode até torná-la mais evidente. Por isso, a indicação correta vem antes da técnica. Há pacientes para quem a lipoaspiração é suficiente e outros que precisam de procedimentos diferentes ou associados”, ressalta.
Lipoaspiração também não é tratamento para emagrecer
Apesar de remodelar o contorno corporal, a cirurgia não substitui estratégias para perda de peso nem deve ser utilizada como tratamento da obesidade.
Para Jorge, essa diferença precisa estar clara principalmente em um momento no qual emagrecimento acelerado e transformação corporal ganharam enorme exposição.
“A balança e a lipoaspiração respondem a perguntas diferentes. Uma pessoa pode emagrecer bastante e continuar incomodada com depósitos de gordura localizada. Outra pode querer fazer uma lipo quando, na realidade, o mais adequado naquele momento seria primeiro cuidar do peso e da saúde. Uma boa indicação também significa saber quando não operar”, pontua.
No fim, a mudança de conceito talvez esteja justamente em fazer com que a cirurgia chame menos atenção do que o próprio corpo.
“O resultado que buscamos não precisa fazer alguém olhar e pensar: ‘ela fez uma lipo’. O ideal é perceber uma silhueta equilibrada, coerente com a estrutura daquela pessoa. A cirurgia plástica evoluiu muito tecnicamente, mas técnica avançada também significa saber respeitar limites. Harmonia não é retirar tudo o que podemos. É entender o que deve ser modificado e o que precisa permanecer”, finaliza o Dr. Jorge Seba, cirurgião plástico.
Sobre o especialista
Dr. Jorge Seba é cirurgião plástico, com atuação em procedimentos estéticos e cirurgias de contorno corporal, incluindo lipoaspiração e técnicas voltadas à valorização das proporções anatômicas.
(Crédito: Imagem criada por IA)
