Programa voltado ao setor de limpeza comercial já alcançou mais de 2 mil empreendedores e projeta chegar a 10 mil participantes nos próximos três anos
Os imigrantes têm participação relevante na criação de empresas nos Estados Unidos. Dados do American Immigration Council apontam que eles representam 22,6% dos empreendedores do país, enquanto pesquisa conduzida por pesquisadores do MIT indica que imigrantes são cerca de 80% mais propensos a abrir empresas do que pessoas nascidas nos Estados Unidos.
Por trás desse movimento, porém, existe um segundo desafio: transformar pequenos negócios, muitas vezes criados a partir do trabalho do próprio fundador, em empresas capazes de crescer, contratar funcionários, conquistar contratos maiores e operar com processos menos dependentes do dono.

Essa transição tem ganhado espaço especialmente em setores com forte presença de empreendedores imigrantes, como o mercado de serviços. Na limpeza comercial, o movimento vem criando uma demanda por conhecimentos que vão além da execução do serviço e passam por vendas, finanças, contratação, liderança e gestão operacional.
É nesse cenário que atua o Programa Império, voltado à capacitação de empreendedores no setor de limpeza comercial. Segundo dados da própria empresa, mais de 2 mil empreendedores já passaram pelo programa, com participantes distribuídos por mais de 40 estados americanos e também em países como Canadá, Austrália e na Europa.
Agora, a organização estabeleceu a meta de alcançar 10 mil participantes nos próximos três anos, movimento que acompanha a ampliação de um mercado formado, em grande parte, por pequenos empresários que buscam deixar operações essencialmente individuais para construir estruturas empresariais mais previsíveis e escaláveis.
“Quando falamos em chegar a 10 mil alunos, não estamos olhando apenas para um número. Estamos falando de 10 mil empreendedores, 10 mil negócios e milhares de famílias que podem ser impactadas pelo desenvolvimento dessas empresas. É uma meta de crescimento importante para nós, mas que vem acompanhada de uma responsabilidade muito grande”, afirma Danielle Carvalho, Head de Produto e CS do Programa Império.
A própria composição dos participantes sinaliza uma mudança na atuação da empresa. Embora o Programa Império tenha se desenvolvido inicialmente junto à comunidade brasileira, atualmente cerca de 20% de seus participantes são hispânicos e outros 20% são americanos, segundo a organização.
A expansão também acompanha uma mudança de perfil dentro do próprio setor. Para muitos pequenos empresários, o objetivo passa a ser migrar de serviços residenciais ou operações baseadas em trabalhos pontuais para contratos comerciais, que podem oferecer maior recorrência e previsibilidade de receita.
Essa mudança exige uma estrutura diferente. Conquistar e manter clientes empresariais envolve processos comerciais, formação de equipes, controle financeiro, recrutamento, padronização da operação e capacidade de administrar contratos sem que todas as atividades continuem centralizadas no fundador.
“Grande parte do nosso público chegou aos Estados Unidos e aprendeu a empreender fazendo. São pessoas que conhecem muito bem o trabalho de limpeza, construíram seus clientes e começaram seus negócios, mas chega um momento em que precisam desenvolver também o lado empresarial. Vendas, finanças, contratação, liderança e processos passam a fazer parte da rotina. É nesse momento que ter acesso a conhecimento e acompanhamento especializado faz muita diferença”, explica Danielle.
Para acompanhar essa demanda, o Programa Império afirma contar atualmente com mais de 70 colaboradores, incluindo aproximadamente 30 consultores. A estrutura reúne profissionais ligados a áreas como vendas, marketing, finanças, recrutamento e operações, além de mais de 50 sessões coletivas ao vivo realizadas ao longo do ano, encontros individuais e atividades de acompanhamento.
O crescimento desse tipo de iniciativa revela uma questão mais ampla do empreendedorismo imigrante nos Estados Unidos: abrir uma empresa e saber administrar seu crescimento são etapas diferentes.
Em muitos casos, o conhecimento técnico que permite ao imigrante começar a prestar um serviço é justamente o que abre a porta para o empreendedorismo. À medida que a carteira de clientes aumenta, entretanto, o desafio deixa de ser apenas executar bem o trabalho e passa a envolver decisões sobre pessoas, processos, margem, vendas e estratégia.
É nessa transição, de prestador de serviço para gestor de uma empresa, que o Programa Império pretende concentrar sua próxima fase de expansão. A meta de chegar a 10 mil empreendedores nos próximos três anos também coloca um desafio para a própria organização: aumentar a escala sem perder o acompanhamento individual que sustenta seu modelo atual.
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