Janice MansurLiteraturaSensações & Percepções

VOCÊ é resiliente?

Você acha curiosa essa pergunta? Diversas palavras em nossa língua não são muito, ou devidamente, usadas, ou são pouco conhecidas do grande público. As pessoas pressupõem de tudo. O que seria ser resiliente? Seria a pessoa que reside em algum lugar? Alguma coisa ou situação que a pessoa execute ou contrato que se pode rescindir? Alguma forma de resina usada pela pessoa em seus cabelos para torná-la mais bela? Pode-se optar pelas mais diversas possibilidades.

            Segundo o dicionário Aulete digital o vocábulo resiliência  [do latim resilientia, part. pres. de resilire.] é um substantivo feminino que  pode ser: 1) (segundo a física) Propriedade de um material retornar à forma ou posição original depois de cessar a tensão incidente sobre o mesmo, determinada pela quantidade de energia devolvida após a deformação elástica; medida em percentual da energia recuperada que fornece informações sobre a elasticidade do material; 2)  (biologia) Capacidade de um ecossistema retornar à condição original de equilíbrio após suportar alterações ou perturbações ambientais; 3) habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas. E conforme o Aurélio, além de outros diversos significados, resiliência [do inglês resilience] figurativamente tem o sentido mais próximo da terceira definição do Aulete: seria também resistência ao choque.

            Então, uma pessoa resiliente é aquela que possui a qualidade da resiliência, é aquela que tem condições de retornar a seu equilíbrio original mesmo depois de ter enfrentado os choques do dia a dia. Aquela que desenvolve habilidades para resistir, lidar com as vicissitudes e reagir de modo positivo às circunstâncias adversas e conflitantes que nos acometem a todo o momento. Ser resiliente é, ainda, muito mais do que isso. É quebrar os paradigmas para se desvencilhar das dificuldades. Não ultrapassar limites para não atropelar o alheio. Não deixar de viver o presente porque se está “pré-ocupando” demais com o que há de vir, mas também não ficar remoendo o passado achando que surgirá alguma fórmula miraculosa que o libertará dele para a felicidade absoluta. É perceber nos engarrafamentos, por exemplo, instantes proveitosos para a boa música e boa leitura até. Ver nas mudanças de clima especialíssimas oportunidades para cuidar melhor da saúde. Valorizar os desentendimentos com amigos ou estranhos como uma forma de se observar mais e não se render tão rápido aos desafetos e às desavenças. Sentir o desgaste emocional e o estresse como fontes de aprendizado constantes. Entender a quebra nas finanças como a hora certa de aprender a poupar e a ter aulas de economia doméstica e financeira. Encarar os problemas como maneira de contornar os obstáculos.

            Ser resiliente é olhar para a vida com os olhos atentos para o novo, a fim de resolver o inusitado da melhor forma possível. É estar com a mente aberta para o que vier de bom e administrar a velocidade de suas reações com respostas positivas, com atitudes leves e alegres. Ser resiliente é driblar o cansaço e as adversidades, enfim, é, um pouco, ser brasileiro!

Janice Mansur é poeta, professora, revisora de tradução e outra cosistas más.

Visite a autora também no site do Jornal Notícias em Português (Londres) e na Academia Niteroiense de Letras.
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