Para Tuka Carvalho, CEO da FM O Dia, a rádio mais ouvida do Brasil, o crescimento do pagode nos últimos anos também tem relação com uma mudança de mentalidade dentro do próprio gênero. Segundo ele, artistas e produtores passaram a olhar para o pagode com mais organização e visão de mercado, sem perder a essência das rodas que deram origem ao estilo. “Durante muito tempo o pagode viveu muito da espontaneidade das rodas e dos encontros. Isso faz parte da história do gênero e é o que dá identidade para ele. Mas hoje existe também uma preocupação maior com projeto, com planejamento, com construir algo que tenha continuidade”, afirma.
Na avaliação de Tuka, esse movimento ajudou a ampliar o alcance da música e abriu espaço para novas iniciativas, como o audiovisual Os Caras da Rua, que reúne diferentes artistas em torno de um mesmo projeto. “Quando você junta vários nomes, cada um com sua história e seu público, cria uma troca muito rica. O pagode sempre teve esse espírito coletivo e esses projetos acabam refletindo exatamente isso”, diz.

Ele também lembra que o destaque do gênero em 2025, quando o pagode apareceu entre os estilos mais ouvidos do país, reforça a força desse momento. Para o executivo, o resultado é consequência de um processo que vem acontecendo há alguns anos. “O público nunca deixou de ouvir pagode. O que aconteceu foi que o gênero voltou a ocupar um espaço muito grande, tanto nas plataformas quanto nos palcos. E quando a música chega forte no público, o mercado naturalmente acompanha”, conclui.
