Saúde

Psicanalista Priscila Fidelis fala sobre agravantes de traumas devido ao isolamento social

Em poucos dias completa-se um ano do isolamento social que vem sendo enfrentado pela população brasileira devido à pandemia causada pela Covid-19. O acontecimento é responsável por grandes prejuízos sociais, econômicos e pessoais, como por exemplo, o agravante de grandes distúrbios, síndromes, entre outros comportamentos e derivados de traumas já sofridos.

Com a necessidade de se manter em casa durante o período de pandemia, milhões de rotinas foram alteradas. Diversas foram as reações causadas, como por exemplo, o aumento de transtorno de ansiedade, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, entre demais doenças psicossomáticas e novas neuroses derivadas da pandemia capazes de contribuírem para diversos agravantes desses quadros emocionais.

Segundo a psicanalista Priscila Fidelis, a pandemia em si já será traumatizante para todos. “Ninguém escapa desse trauma, seja em menor ou maior grau, mas todos nós vamos sair dessa pandemia com sequelas. Muitas doenças psicossomáticas são afloradas, como ansiedade, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, entre outras. O que temos provavelmente vai ser potencializado e o que não tínhamos talvez passaremos a ter”, aponta.

Com especialidade em mulheres e com o objetivo de ajudá-las a enfrentarem traumas emocionais já vividos, como violência doméstica e abusos sexuais, Priscila relata a piora direta desses medos com a necessidade de permanecer em casa. “No caso da violência doméstica, em relação aos pais com filhos e agressões às mulheres, a gente coloca de fato o agressor isolado com a vítima. Devido a isso conseguimos amplificar as feridas emocionais nessas vítimas que estão precisando ficar isoladas com quem mais temem”, afirma a psicanalista.

A psicanálise é um campo clínico que estuda diretamente as origens das questões da psique humana que resultam em traumas e se torna essencial no momento de isolamento social vivido pelo mundo.

“A psicanalise entra como uma ferramenta fundamental nessa pandemia para não deixar o ‘copo transbordar’. É literalmente como se fossemos um copo que vai enchendo de sentimentos reprimidos até transbordar. Justamente para não acontecer isso em tempo de isolamento social, muitas pessoas têm começado a olhar para dentro, observar as feridas e iniciar um processo de autoconhecimento, utilizando dessa ferramenta de autoanalise para saber como lidar com certos comportamentos e tentar entender como e por que aconteceram certas coisas, ressignificando vários eventos e ocasiões ocorridas na infância e adolescência. Não estamos com muito espaço para receber o pós pandemia. Muita gente, de forma sábia e inteligente, procurou a psicanálise como uma ferramenta para liberar tudo o que tinha que ser liberado e abrir espaço para já tratar o que virá pós pandemia. A psicanálise se tornou uma ferramenta crucial para uma manter a saúde mental”, completa Priscila.

Sobre Priscila Fidelis

Nascida e criada no Rio de Janeiro, Priscila viveu grandes traumas durante a infância e adolescência. A psicanalista precisou guardá-los para si durante um longo tempo, até encontrar forças para enfrentá-los. Logo, passou por um processo de autoconhecimento e de cura para superar os impactos, angustias e sofrimentos. 

Uma grande responsável pelo processo de cura e grande referência para a psicanalista é a sua mentora Dawn Watson, escritora vítima de abuso sexual na infância enquanto morava na seita “Meninos de Deus”, em Huntington, na Califórnia, nos Estados Unidos. Dawn nasceu no Brasil e foi morar nos Estados Unidos quando criança.

Depois de conhecer a história de Dawn que Priscila começou a falar mais abertamente sobre o abuso sofrido na infância, seu maior trauma. Para ela, esse é o principal ponto de cura. “Quanto mais se fala, mais normal o trauma fica” – Priscila Fidelis.

Ao começar a falar sobre o que viveu Priscila não possuía a intenção de estar no papel de vítima, e sim usar o processo de cura como exemplo para outras mulheres, a fim de ganhar a confiança e ajudá-las a enfrentarem os próprios traumas, o que é o seu maior objetivo com a psicanálise. 

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