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Para onde você guiar, te seguirei!

Voltei a ver a série Gilmore Girls, depois de muito tempo, por mera saudade. Ela faz isso com você. Te envolve e, mesmo que você a deixe, saiba que em algum dia voltará para ela. Nisso, resolvi torná-la como indicação aos que procuram não somente algo interessante e diferente para assistir, como também uma boa série de comédia dramática não genérica.

Tudo acontece na pequena cidade de Stars Hollow, interior de Connecticut. A história rodeia a relação entre Lorelai Gilmore e sua filha Rory, que compartilham um carinho para além de apenas mãe e filha, mas de amizade também.

No primeiro episódio, a jovem Rory ganha uma irrecusável oportunidade de estudar em uma escola preparatória de elite que pode deixá-la mais próxima de conseguir a tão esperada vaga em Harvard. Sem condição alguma de pagar ao colégio caríssimo, Lorelai vai em busca de uma ajuda financeira, convencida de voltar à casa dos pais para que garantisse os estudos da filha. Claro que eles aceitam! Mas, com uma condição: que as duas passassem a jantar toda sexta-feira com eles. Lorelai concorda com a proposta, voltando a ter contato regularmente com os pais depois de 16 anos e Rory começando a conhecer mais os avós. 

Lorelai Gilmore

Lorelai (Lauren Graham) foi criada em um tremendo berço de ouro, porém, tendo um crescimento conturbado graças à mãe controladora e o pai viciado em trabalhar, onde ambos esperavam que a filha vivesse eternamente no mundo dos dois: cheio de riqueza e privilégios. Sendo completamente o oposto de seus pais, Lorelai era falante e ansiava por uma liberdade. Marcada pela geração MTV oitentista, era uma jovem normal que possuía posters de suas bandas preferidas colados nas paredes de seu quarto e completamente apaixonada por filmes clássicos. Sonhava com um futuro, mas o mesmo seria decidido apenas pelos pais. Mas foi ao engravidar muito cedo, que partiu de casa logo após o nascimento de Rory, a fim de dar vida própria à sua independência de acordo com seus desejos.

Rory Gilmore

Rory (Alexis Bledel), 16 anos, quer estudar jornalismo em Harvard para se tornar correspondente internacional — totalmente inspirada em Christiane Amanpour. Seu comprometimento com os estudos é gigantesco, mantendo constantemente a cabeça mergulhada em livros. Tem como melhor amiga Lane Kim, mas é inegável que sua confidente parceira para toda a vida seria sua mãe. E apesar de ser introvertida, ainda é genuinamente amigável, sempre citando referências literárias em quase todos os episódios. É satisfatório acompanhar o crescimento da personagem durante as temporadas, que permeia da adolescência até à vida adulta. É como se você realmente estivesse a vendo crescer diante de seus olhos.

É incrivelmente delicioso de se observar cada personagem presente. A série, por mais que envolva essa temática de família, explora características curiosas e engraçadas de personagens secundários-não tão secundários, já que marcam firmemente uma presença em toda narrativa. Todos encaixados perfeitamente nessa cidadezinha peculiar.

Stars Hollow é a típica cidade pequena onde todo mundo se conhece. Com uma reunião de moradores, todos os assuntos da cidade são tratados regularmente nesses encontros, tal qual uma reunião de condomínio. Em cada estação do ano, festivais enfeitam cada extensão das ruas, comemorando o inverno, verão […] com uma euforia extravasando. Muitos lugares marcam, mas o que você verá frequentemente é a cafeteria do Luke (Scott Patterson) — Luke! O melhor personagem masculino da série e um dos mais íntimos de Lorelai e Rory. O “””bom humor””” estampado em sua cara completa perfeitamente seu sarcasmo cativante —,  na qual mãe e filha normalmente sempre começam seus dias, com uma canecONA! de café.

Em ordem, Dean Forester, Jess Mariano e Logan Huntzberger

Agora, uma grande discussão que ronda os fãs do seriado, são os relacionamentos amorosos de Rory que, curiosamente, são condizentes às fases da vida da personagem. Temos Dean Forester (Jared Padalecki) que foi seu primeiro amor. Tinha total aprovação de Lorelai, era atencioso, carinhoso, mas de caráter duvidoso. Logo depois, o coração de Rory é fisgado pela figura mais clichê que existe, o rebelde-não gosto de ninguém-ninguém gosta de mim-intelectual Jess Mariano (Milo Ventimiglia), que, há quem acredite, foi o primeiro e único garoto a compreender a jovem, nunca ousando mudar sua personalidade, depositando confiança e apoiando seus maiores sonhos. Por último — e nada importante pra mim. Ha! O que posso fazer? —, temos Logan Huntzberger (Matt Czuchry), o lourinho bonitinho inteligente e flertador. Rory o conhece durante sua vida universitária, não demorando muito a se sentir atraída pelo atraente riquinho mixuruca — deu pra perceber claramente qual o meu preferido, certo? Pois é.

Respectivamente, Paris Geller, Lane Kim, Emily Gilmore, Sookie St. James

Um dos meus pontos preferidos da série, é a forte presença das personagens femininas. São muitas? Realmente são. Mas essa força não é relacionada à quantidade, mas porque suas personalidades são intensamente complexas e dominantes. Tudo isso em uma obra originada dos anos 2000! A criadora do seriado, Amy Sherman-Palladino, foi tremendamente perspicaz ao escrever o enredo, enriquecido de inúmeras referências geek-literárias-cinematofráficas, onde os diálogos das Gilmore são resumidos, em grande parte, por livros, filmes, músicas, política, etc. Confesso que me peguei várias vezes ‘dando’ Google em muitas das referências pela minha péssima dificuldade de pescá-las.

Gilmore Girls é exatamente o tipo de série que me traz um conforto nada igual, comparado às outras que assisto. Aquela que você pode ver qualquer episódio em qualquer época apenas para passar o tempo e rever diálogos que escaparam despercebidos, cantar a música de abertura do início ao fim, contar quantos copos de café Lorelai já tomou em um só episódio — sim! ‘Café-cólatra’! —, pegar sugestões de livros que Rory sempre aparece lendo e apreciar as grandes e atemporais músicas da época.

É de sair ensopado pela cultura pop que transborda.

Ana Luiza Portella – estudante de jornalismo

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