NR-1 acelera migração das empresas do laudo pontual para o monitoramento contínuo de riscos psicossociais

Pop Journal
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Com vigência prorrogada até 25 de maio de 2026 e autuação prevista a partir de 26 de maio, nova fase da norma pressiona áreas de RH, jurídico e SST a integrar ergonomia, dados e cuidado assistencial, avalia Filipe Garcia, diretor executivo da Capital Saúde Digital


A atualização da NR-1 vem empurrando a saúde ocupacional para um novo patamar de governança. O tema deixou de ser apenas uma discussão de compliance documental e passou a dialogar diretamente com produtividade, afastamentos e gestão de risco corporativo. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais (https://www.gov.br/previdencia/pt-br/noticias/2026/janeiro/previdencia-social-concede-546-254-beneficios-por-incapacidade-temporaria-por-transtornos-mentais-e-comportamentais) e comportamentais, alta de 15,66% em relação a 2024. No Distrito Federal, foram 12.588 benefícios no mesmo período.

No plano global, OMS e OIT estimam que depressão e ansiedade provoquem a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com custo próximo de US$1 trilhão para a economia mundial.

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No centro desse movimento está a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, aprovada pela Portaria MTE nº 1.419/2024 e depois prorrogada pela Portaria MTE nº 765/2025, que adiou o início da vigência para 25 de maio de 2026. Em paralelo, o Ministério do Trabalho informou que a implementação foi tratada em caráter educativo no período de transição e que a autuação pela Inspeção do Trabalho começa em 26 de maio de 2026. A partir daí, os fatores de risco psicossociais passam a constar expressamente no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos.

Na prática, a mudança altera a lógica de atuação das empresas. O guia oficial do MTE deixa claro que os riscos psicossociais relacionados ao trabalho decorrem de problemas na concepção, organização e gestão do trabalho, e não de uma simples leitura individualizada de sintomas. Também afirma que a gestão deve ser feita em combinação com a NR-17, começando pela Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e, quando necessário, avançando para a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). A própria orientação do governo ressalta que a AEP é obrigatória para todas as organizações, inclusive para micro e pequenas empresas eventualmente dispensadas de elaborar PGR.

Esse ponto ajuda a explicar por que o modelo baseado em “laudos de gaveta” perde espaço. O que a norma passa a exigir é um ciclo contínuo de identificação, avaliação, prevenção, acompanhamento e revisão das medidas adotadas. Nas inspeções, segundo o MTE, os auditores devem observar a organização do trabalho, analisar documentos, verificar dados de afastamento e entrevistar trabalhadores para identificar situações de risco psicossocial. Setores com maior incidência de adoecimento mental, como teleatendimento, bancos e estabelecimentos de saúde, foram citados pelo ministério como prioritários.

É nesse ambiente que a Capital Saúde Digital(http://www.capitalsaudedigital.com.br/) tenta se posicionar. Com atuação no Distrito Federal, a empresa defende que a adequação à NR-1 tende a exigir mais do que exames ocupacionais e relatórios isolados. A proposta da companhia é integrar AEP, gerenciamento tecnológico contínuo e cuidado assistencial, combinando visão computacional, inteligência de dados e uma camada de telemedicina voltada ao acompanhamento preventivo. Segundo a empresa, a metodologia própria reúne monitoramento contínuo, psicologia mensal e atendimento em mais de 15 especialidades eletivas, com o objetivo de transformar a saúde ocupacional em um processo vivo, e não em uma obrigação episódica.

“A nova NR-1 não pede apenas mais um documento. Ela pede evidências de gestão. Quando a empresa consegue identificar fatores psicossociais e ergonômicos, documentar plano de ação, acompanhar indicadores e conectar isso a uma frente assistencial, ela sai da lógica reativa e passa a operar com mais segurança jurídica e mais previsibilidade”, afirma Filipe Garcia, diretor executivo da Capital Saúde Digital. (site nao estava funcionando).

Na avaliação do executivo, o maior erro das empresas será tratar a norma como uma ampliação burocrática do SST. “O risco psicossocial não está só no evento extremo. Ele aparece na rotina, na meta mal calibrada, na comunicação falha, na repetição excessiva, na sobrecarga e no desenho inadequado do trabalho. Se a gestão não for contínua, a empresa só descobre tarde, quando o problema já virou afastamento, passivo ou perda de produtividade”, diz.

No braço assistencial, a telemedicina pode funcionar como elemento complementar dessa estratégia. A prática é permitida no país pelo CFM para fins de assistência, prevenção, gestão e promoção de saúde, embora o próprio conselho ressalte que ela não substitui o atendimento presencial. Para empresas com estruturas distribuídas, equipes em campo ou operação intensiva em serviços, esse modelo tende a ganhar relevância como forma de ampliar acesso, registrar acompanhamento e reduzir o intervalo entre identificação de risco e cuidado efetivo.

Para o mercado, a leitura mais ampla é que a NR-1 reposiciona a saúde ocupacional como infraestrutura de negócio. Em vez de um rito documental acionado em auditorias ou litígios, a tendência é que o tema avance para uma lógica de monitoramento, evidência e prevenção contínua. Nesse cenário, ganha espaço quem conseguir conectar conformidade regulatória, leitura de dados e intervenção rápida sobre a rotina de trabalho.

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