Mais de 1,8 milhão de brasileiros vivem atualmente nos Estados Unidos, número que reflete o interesse crescente em construir carreira e negócios no exterior. Nesse cenário, empreender fora do país tem se tornado uma alternativa para muitos imigrantes, mas o processo envolve desafios que vão além da adaptação profissional e financeira.
Naturais de Recife e radicados nos Estados Unidos, os irmãos Andre Carvalho e Raphael Carvalho são fundadores de um grupo empresarial com atuação internacional e centenas de colaboradores. Com trajetória iniciada do zero no mercado americano, onde chegaram em momentos distintos e sem estrutura inicial, consolidaram empresas multimilionárias e hoje também atuam como mentores de empresários e autores na área de negócios e liderança.
A partir da própria experiência, Andre Carvalho afirma que a vivência como imigrante impacta diretamente a forma como muitos brasileiros constroem suas trajetórias no exterior.
“Mais de 1,8 milhão de brasileiros vivem nos Estados Unidos. E mesmo assim, muita gente se sente sozinha aqui. Mudar de país não é só mudar de lugar. É deixar família, amigos, rotina e nome conhecido. E recomeçar em um lugar onde ninguém sabe quem você é, o que você já construiu, o que você já superou”, afirma.
Segundo ele, o início da jornada costuma ser marcado por foco total na adaptação.
“No começo, o foco vai todo para a adaptação: trabalho, sobrevivência, fazer dar certo. Mas tem coisas para as quais ninguém te prepara. Os dias em silêncio. As decisões tomadas sozinho, sem ninguém para dividir o peso.”
O empresário também destaca a pressão constante envolvida nesse processo.
“Ser imigrante não é só abraçar uma oportunidade. É carregar responsabilidade o tempo todo. Sem pausa, sem plateia e sem garantia. Pesa ter que ser forte o tempo todo. Pesa não poder parar.”
Para Andre, esse contexto influencia diretamente o comportamento de quem decide empreender fora do país.
“Imigrantes nos EUA têm 80% mais chances de abrir um negócio do que americanos natos. Não é coincidência. É o resultado de quem aprendeu a continuar quando ninguém estava olhando”, afirma, citando estudo do MIT (2022).
Ele também ressalta que essa experiência promove mudanças profundas no perfil profissional e pessoal.
“Você começa a descobrir uma versão sua que talvez nunca tivesse aparecido se você tivesse ficado. A versão que aguenta mais, que constrói mais, que decide mesmo sem ter certeza.”
Ao refletir sobre a própria trajetória, André reforça que os desafios fazem parte de um processo contínuo de construção.
“Só quem está aqui sabe o que custa manter o sonho no radar. A automotivação que ninguém vê. A força que você reconstrói toda manhã. Mas se você chegou até aqui, já é mais forte do que imaginava. Essa fase não é o seu destino. É a construção dele.”
