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Dos palcos para o cinema: em ‘Vermelho Quimera’, bailarino Thiago Soares mostra versatilidade em dose tripla e exerce função de diretor, ator e coreógrafo

Até quem não é tão fã de balé, já ouviu este nome: Thiago Soares. Trata-se do bailarino brasileiro mais premiado do mundo, tendo sido o único a conquistar a medalha de ouro no maior concurso de dança clássica do planeta, promovido pelo Teatro Bolshoi, na Rússia. Iniciando sua trajetória com o street dance nas ruas de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, aos 16 anos começou a trilhar sua carreira no balé clássico. Em seu invejável currículo, estão apresentações em mais de 30 países e 18 anos fazendo parte do Royal Ballet, de Londres, uma das maiores companhias de dança do mundo e onde conquistou e honrou a posição de Primeiro Bailarino. Após ter ficado em instituições artísticas de nome por anos, conseguiu criar seus próximos passos criando autonomia em projetos próprios, como diretor e coreógrafo. Hoje, aos 41 anos, Thiago atua como diretor do Ballet de Monterrey, no México, e trilha uma nova história que vai além dos palcos. Ao lado de Oskar Metsavaht, Thiago dirigiu seu primeiro trabalho para o cinema, no curta-metragem “Vermelho Quimera”, que foi apresentado em Cannes. O desafio não parou por aí. No filme, além de dividir a direção com Oskar, ele também criou a coreografia e é umas das estrelas da produção, ao lado da atriz Lana Rhodes.

“Com todos esses anos de carreira, que considero bem completa, estou confiante para me desafiar. ‘Vermelho Quimera’ é transformar minha dança em uma narrativa de forma independente. O filme é uma descoberta de como posso continuar realizando minha maior paixão: dançar. Mesmo me sentindo bem e apto para continuar nos palcos, estou optando por explorar outras formas de continuar esse sonho.”

A produção narra a história de dois amantes que transitam em um universo paralelo, entre a ilusão e a realidade. Sem diálogo, ambos se comunicam pela expressão corporal e pelo movimento. Inspirado no balé “Pássaro de Fogo”, composto por Igor Stravinski, o bailarino fala sobre como foi o processo criativo de suas coreografias para o filme, guiado pela lenda russa:

“Dancei a obra original do Stravinski por vários anos e sempre gostei. Meu objetivo era visitar o DNA dessa apresentação com uma perspectiva dos dias de hoje. Comecei com a ideia de ir para o teatro, mas percebi que era algo mais íntimo com muitos detalhes pequenos, precisando de uma lupa para entender a narrativa. Foi quando veio a ideia de fazer a versão em filme. Apesar de ser contemporâneo, usei a linguagem corporal clássica, que representa minha trajetória.”

Com anos de experiência e uma carreira consolidada no universo da arte da dança, o coreógrafo observa diferenças entre a linguagem corporal nos palcos e nas gravações da trama. Com mais espaço para movimentos detalhados, Thiago acredita que o cinema proporciona a inserção de passos mais sutis: 

“Diferente do cinema, o bailarino dos palcos necessita de uma projeção maior, já que precisa atingir o público que vê mais de longe. A forma de comunicar acaba sendo de uma forma mais assertiva. No filme, tem aquela lupa, e o espectador está dentro da dança com a gente, por isso precisamos controlar o quanto de energia colocamos. Foi um processo muito legal de poder acessar movimentos sutis e minimalistas, que não fazemos em teatros.”

Após “Vermelho Quimera” ter sido selecionado para participar do Festival de Cannes na grade do Short Films Corner, o diretor está honrado com essa nova conquista no audiovisual. Com novos passos no mundo artístico, o filme é só o início de sua trajetória nas telas de cinema: “Tem sido uma alegria muito grande ser selecionado. Foi uma certeza de que o trabalho tem uma fala relevante, e tive força para pensar em próximos filmes. Me senti honrado e impressionado por terem dado atenção a nossa produção. Foi uma força muito legal”

No curta, Thiago divide a cena com a atriz Lana Rhodes, com quem treinou dois meses para aprender passos de balé e sempre teve o sonho de realizar uma produção ao lado da artista, que se encaixou na visão artística do dançarino para seu filme:

“Lana é uma grande amiga. Sempre admirei seu talento e que ela teve algo especial pela sua entrega e a forma que estuda seus personagens. Precisava de uma imagem específica para essa produção, e ela teve confiança e vontade de tornar realidade tornar possível a linguagem dos personagens. Gosto de trabalhar com ela pela dinâmica que temos, e o processo foi muito interessante e muito feliz.”

Brasil e México 

Dividindo sua rotina entre o Brasil e o México, Thiago está à frente do Ballet de Monterrey, no México, atuando como diretor artístico e criando coreografias de grande porte para a renomada companhia. O artista relata como tem sido coordenar o elenco com produções de diversos países:

“Estou muito contente. Algumas pessoas me falaram que estaria no lugar ideal para testar minhas ideias como diretor e líder. Fui chamado quase no final da pandemia e decidi me desafiar na direção, que requer ideias de sucesso para a companhia. Meu primeiro ano lá foi ótimo, com oportunidades de colocar obras como ‘Lago dos Cisnes’, com um resultado incrível.”

Foto: Jhuan Martins

Com projetos no comando da direção artística em Monterrey, Thiago promete entregar novidades nos palcos para o futuro de sua carreira. O dançarino está em busca de usar a arte como uma voz que representa sua trajetória e até onde deseja ir:

“Estou embarcando na minha próxima grande produção com o balé tradicional ‘O Corsário’, e quero deixar minha marca trazendo os dias de hoje nesse clássico, que estreia em Monterrey, no México. Meu desejo é trazer o público jovem para interagir com a obra, e estou bem empolgado. Além disso, pretendo fazer uma turnê em breve. Ainda é cedo para falar e o processo é lento, mas podem esperar novidades!”

Saiba mais sobre Thiago Soares

Nascido em Vila Isabel, Rio de Janeiro, Thiago começou sua trajetória no street dance, se juntando ao grupo de dança de seu irmão mais velho. Aos 16 anos, conquistou uma bolsa de estudos que abriu portas para o mundo da dança clássica. Com medalhas internacionais em competições de dança e apresentações em mais de 30 países, inclusive na posição de Primeiro Bailarino do Royal Ballet de Londres, Thiago é o bailarino brasileiro mais premiado do mundo, tendo sido o único a conquistar a medalha de ouro no maior concurso de dança clássica do planeta, promovido pelo Teatro Bolshoi, na Rússia. Atualmente, é diretor artístico de seu próprio espaço de dança no Rio e no Ballet de Monterrey, no México. 

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