No dia 27 de junho é celebrado o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, segmento que representa a maior parte dos negócios em atividade no Brasil e desempenha papel fundamental na geração de empregos e no desenvolvimento econômico. Apesar da relevância, muitas empresas ainda enfrentam obstáculos que comprometem o crescimento sustentável e colocam em risco sua própria sobrevivência.
Para o contador Eduardo Dias, um dos principais problemas está na falta de controle financeiro e de gestão.
“Muitas empresas não quebram porque vendem pouco. Elas quebram porque crescem sem planejamento. É comum o empresário confundir faturamento com lucro, aumentar despesas antes de entender sua margem real e tomar decisões baseado apenas no saldo da conta bancária”, explica.
Segundo o especialista, erros como não controlar fluxo de caixa, precificar sem conhecer os custos reais, ignorar a necessidade de capital de giro e misturar finanças pessoais com as da empresa ainda são extremamente comuns entre micro e pequenos empreendedores.
“A mistura entre contas pessoais e empresariais compromete a visão real do negócio, dificulta a gestão, prejudica o acesso a crédito e pode gerar problemas tributários e até jurídicos. A separação entre pessoa física e pessoa jurídica não é apenas uma questão de organização, mas de proteção patrimonial e segurança para o crescimento”, afirma.
Outro ponto de atenção é o fluxo de caixa. De acordo com Eduardo Dias, muitas empresas aparentam estar saudáveis porque registram crescimento nas vendas, mas enfrentam dificuldades justamente por não acompanharem a entrada e saída efetiva dos recursos.
“Empresa não quebra necessariamente quando dá prejuízo. Ela quebra quando fica sem caixa para honrar seus compromissos. É perfeitamente possível uma empresa ser lucrativa no papel e insolvente na prática.”
Além dos desafios financeiros, a gestão tributária continua sendo um dos maiores pontos de vulnerabilidade das micro, pequenas e médias empresas brasileiras.
O advogado tributarista William Almeida destaca que o erro mais frequente não está necessariamente na falta de pagamento de impostos, mas na inconsistência das informações prestadas ao Fisco.
“O problema mais comum é quando aquilo que a empresa declara não corresponde à realidade da operação. Hoje os cruzamentos eletrônicos realizados pelos órgãos fiscais são cada vez mais sofisticados, e inconsistências entre notas fiscais, declarações e movimentações financeiras acabam sendo identificadas com facilidade”, explica.
Segundo ele, erros de enquadramento tributário, classificação fiscal incorreta de produtos e serviços, falhas em obrigações acessórias e falta de acompanhamento das mudanças na legislação podem gerar custos elevados, autuações e perda de competitividade.
“Regime tributário não é uma decisão burocrática. É uma decisão estratégica que impacta diretamente margem, fluxo de caixa, precificação e capacidade de crescimento da empresa”, ressalta.
William também alerta para a importância de abandonar a cultura de buscar apoio especializado apenas quando surge um problema fiscal.
“O empresário precisa incorporar a gestão tributária à rotina da empresa. Planejamento, revisão periódica de enquadramento, conferência de informações e monitoramento constante das obrigações são medidas que reduzem riscos e aumentam a previsibilidade financeira.”
A proximidade da implementação gradual da Reforma Tributária também exige atenção redobrada dos empresários. Para o tributarista, as mudanças já começam a alterar a forma como as empresas precisam planejar contratos, preços, fluxo de caixa e operações.
“A reforma não é um assunto para ser discutido apenas quando estiver totalmente implementada. As empresas que começarem a se preparar agora terão mais capacidade de adaptação e menos riscos durante a transição.”
Para ambos os especialistas, o crescimento sustentável das micro, pequenas e médias empresas depende cada vez mais de gestão profissional, disciplina financeira e planejamento.
“O empresário precisa deixar de administrar apenas pela intuição e passar a tomar decisões com base em números, indicadores e processos”, afirma Eduardo Dias.
William Almeida complementa: “Empresas que crescem com governança, controle financeiro e conformidade tributária constroem negócios mais resilientes, atraem crédito com mais facilidade e conseguem expandir de forma muito mais segura.”
No Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, a principal mensagem dos especialistas é clara: crescer exige muito mais do que vender. Exige organização, previsibilidade e gestão capaz de transformar informação em decisão.
