Muito antes das redes sociais se transformarem em uma indústria bilionária capaz de movimentar consumo, tendências e comportamento, Evelyn Regly já construía audiência na internet e ajudava a desenhar um mercado que ainda nem existia oficialmente.
Com 26 anos de trajetória online, Evelyn acompanhou todas as transformações da internet: dos blogs aos vídeos virais, da era do YouTube ao crescimento da creator economy, até o momento atual em que influenciadores se tornaram peças estratégicas para marcas, publicidade e varejo.

“Eu sou do tempo em que isso tudo era mato. São 26 anos de internet e, lá atrás, não tinha como saber para onde esse mercado caminharia. A gente já foi TI, blogueira, youtuber… até chegar à influenciadora digital”, relembra.
Segundo Evelyn, quando decidiu dedicar 100% da sua carreira ao ambiente digital, por volta de 2014, o impacto das redes sociais sobre o consumo já começava a se consolidar — mesmo que muitas empresas ainda não compreendessem totalmente o papel dos creators.
“O impacto já era gigantesco no varejo, mesmo quando muitas empresas ainda não entendiam exatamente o nosso papel”, afirma.

Hoje, em um cenário onde produtos esgotam em minutos após um vídeo viral e criadores de conteúdo movimentam milhões em vendas através de programas de afiliados e campanhas digitais, Evelyn acredita que o verdadeiro poder da influência não está apenas nos números.
“Hoje a venda é uma realidade para muitos criadores de conteúdo. Mais do que isso: é uma fonte de renda real através de programas de afiliados, comissionamentos e outros mecanismos. Porém, o papel do influenciador vai além disso. A venda vem através do conteúdo, da criação de comunidade, da credibilidade e da identificação com a audiência”, explica.
Para ela, o mercado ainda comete um erro recorrente ao confundir alcance com influência real de consumo.
“A diferença está na credibilidade e em como o criador construiu sua presença digital. Hoje vemos influenciadores com milhões de seguidores que não geram conversão. O conteúdo é só hype? Só polêmica? Pode até ter visualizações, mas tem credibilidade?”, questiona.
Mesmo com o crescimento exponencial da publicidade digital, Evelyn também reforça que influência sozinha não sustenta um produto ruim.
“Não há criador que resolva o problema de um produto ruim. Se o produto não é bom ou não está alinhado com o mercado… não vai. Pode ser mídia tradicional ou digital. Não resolve”, pontua.
Ela acredita que o varejo físico precisou se adaptar rapidamente ao novo comportamento do consumidor, que hoje busca muito mais do que apenas comprar.
“Esse é o futuro. Se a loja não oferece uma experiência para o consumidor, ele prefere comprar online. Hoje você vai até a loja por dois motivos: ou porque precisa do produto naquela hora, ou porque quer viver uma experiência. O varejo precisa focar nisso”, analisa.
Para Evelyn, um dos maiores desafios atuais das marcas ainda é compreender como trabalhar corretamente com creators sem engessar a linguagem e a autenticidade que fazem parte da conexão com o público.
“Muitas empresas ainda querem engessar a criação de conteúdo. Quando o mercado entender que o poder do criador está justamente na forma única como ele se comunica… todo mundo ganha”, afirma.
Após mais de duas décadas vivendo diferentes fases da internet, Evelyn acredita que a construção de comunidade será cada vez mais importante para a sobrevivência no mercado digital.
“O segredo é criar sua comunidade, entender o que ela quer consumir e educar o público em relação ao conteúdo que você posta. Viralizar não tem relação nenhuma com qualidade e posicionamento. Muitas vezes é justamente o contrário”, diz.
Ela encerra com uma frase que resume sua visão sobre autenticidade nas redes sociais:
“O segredo do sucesso eu não sei, mas o do fracasso é querer agradar todo mundo. Seja autêntica.”
