CulturaDestaqueGabriel FerreiraTelevisão e MaisTV

Com vocês, Vídeo Show!

Como é de praxe, esta coluna tem como principal objetivo analisar sobre aquilo que já ocorreu e acontece de mais importante no meio televisivo. E nesta semana, decidi falar sobre um dos programas mais clássicos da TV, que infelizmente se findou de uma forma inexplicável até os dias de hoje.

Sim, estamos falando do “Vídeo Show”, que passados dois anos após o seu término, obtém o legado de um marco da preservação da memória na televisão. Então, nada mais justo, que relembrar parte de seu legado, com carinho e, principalmente, nostalgia, cujo, é a essência do programa, que completaria 38 anos em 2021, caso ainda estivesse no ar.

O INÍCIO:

Desde o início, o “Vídeo Show” era conhecido por sua icônica abertura ao som de “Don’t Stop ‘Til You Get Enough” de Michael Jackson (Foto: Montagem)

Com a apresentação de Tássia Camargo e direção de Ronaldo Cury, nascia o “Vídeo Show” no dia 20 de março de 1983. Seu principal objetivo era recuperar os principais momentos da Televisão, e especificamente, da Rede Globo até então. 

O programa, que inicialmente era exibido aos domingos não tinha apresentador fixo, mas já contava com alguns ingredientes que marcariam o sucesso do programa. A presença de famosos que respondiam às  perguntas enviadas por telespectadores e a escolha de seus momentos mais relevantes eram figurinhas carimbadas durante a atração, que ao longo dos anos sofreu inúmeras reformulações. 

1987: O ANO DE GRANDES MUDANÇAS

Comandante do Vídeo Show durante anos, Miguel Falabella fez história no programa (Foto: Divulgação / Memória Globo)

Em 1987, o “Vídeo Show” foi totalmente reformulado. Com direção de Cacá Silveira, a atração passou a ser exibida nas tardes de sábado, com apresentação de Marcelo Tas, que também interpretava o personagem Cabeça Branca. Nessa fase, que durou poucos meses, o programa contou com mais de 20 quadros diferentes, alguns deles fixos como ‘Micro Especial Musical’, com clipes da carreira de um determinado artista, e ‘A TV no Mundo’, que retratava programas das televisões asiáticas, europeias e norte-americanas.

No mesmo ano, Miguel Falabella assumiu o comando do “Vídeo Show”. Foram introduzidos quadros como ‘Pergunte ao Seu Astro’, ‘Tricotando com Falabella’ e o tradicional ‘Falha Nossa’. Cissa Guimarães assumiu a narração das reportagens e quadros, em abril de 1989. Falabella e Cissa Guimarães passaram a formar, assim, a dupla mais conhecida da história do programa.

A FASE DIÁRIA:

“A Garota que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia”, vulgo, Cissa Guimarães ao lado de Miguel Falabella (Foto: Divulgação / Memória Globo)

A partir de 1994, o “Vídeo Show” passou a ser exibido diariamente, de segunda a sexta-feira, às 13h30, sob a supervisão de Maurício Sherman. Nessa fase, o conteúdo jornalístico ocupava cerca de 60% do programa e foram criados quadros como ‘Fora do Ar’, retratando a intimidade dos astros da televisão, e ‘Em Estúdio’, que mostrava entrevistas com músicos e cantores sobre seus novos trabalhos, além de quadros já consagrados como o ‘Túnel do Tempo’. 

Em 1996, houve mais uma reformulação do programa. Foram produzidas novas vinhetas de abertura e criados novos quadros, como ‘Álbum de Família’, em que um artista era convidado a apresentar suas fotos particulares, e ‘Lar Doce Lar’, em que a equipe de repórteres visitava a casa dos entrevistados. Foi instituído, ainda, o Troféu Vídeo Show, que premiava as celebridades.

O FIM DA ERA MIGUEL FALABELLA E A CHEGADA DE ANDRÉ MARQUES:

No início dos anos 2000, André Marques chegava para deixar sua marca no Vídeo Show (Foto: Divulgação / Memória Globo)

Em 2000, o programa teve novas mudanças. O apresentador Miguel Falabella passou a receber os convidados e a realizar as entrevistas no estúdio, que agora incluía a presença de uma plateia. A edição de sábado teve a pauta ampliada e Cissa Guimarães estreou o quadro ‘Gentem como a Gente’, no qual passava o dia com uma celebridade. Além disso, teve a estreia de novos quadros, como ‘Correio da Fama’ – que, mensalmente, trazia os artistas da Globo que mais recebiam cartas – e ‘Antenado’, com “pílulas” do noticiário nacional e internacional.

Angélica a frente do Vídeo Game, um dos quadros mais sucedidos do Vídeo Show (Foto: Divulgação / Memória Globo)

Em dezembro de 2001, a apresentadora Angélica fez sua estreia no programa, comandando o quadro ‘Vídeo Game’, um game show envolvendo celebridades e seus conhecimentos sobre a programação da Globo. No ano seguinte, André Marques substituiu Miguel Falabella, que ficou 15 anos no comando da atração, tendo apresentado 2.618 edições do programa. 

A partir de 12 de abril de 2003, a edição especial de sábado do “Vídeo Show”, que exibia os melhores momentos do programa, passou a ser apresentada por Angélica e André Marques. Nessa época, os apresentadores começaram a reproduzir, de forma bem-humorada, cenas marcantes das novelas da emissora. Com a estreia do programa “Estrelas” em 2006, o “Vídeo Show” deixou de ser exibido aos sábados.

DE ANA FURTADO A ZECA CAMARGO:

André Marques e Ana Furtado à frente do Vídeo Show (Foto: Divulgação / Memória Globo)

Em 13 de abril de 2009, o “Vídeo Show” passou a ser produzido pelo núcleo do diretor J. B. de Oliveira, o Boninho, com direção-geral de Carlos Magalhães e direção de Vivi de Marco. A atração era exibida ao vivo, de segunda a sexta-feira, a partir das 13h45. O programa passou também a dar informações sobre teatro, cinema e música, com matérias de todo o Brasil. A apresentação ficou a cargo de André Marques, Geovanna Tominaga, Luigi Baricelli, Fiorella Mattheis e Ana Furtado.

Depois de 13 anos à frente do programa, André Marques se despediu do “Vídeo Show” no dia 4 de outubro de 2013. A apresentadora Ana Furtado, que integrou a equipe do programa por oito anos e meio, entre as funções de repórter e apresentadora, também deixou a atração. 

Zeca Camargo no Vídeo Show, para muitos à época mais desastrosa do programa (Foto: Reprodução / Globoplay)

A partir do dia 18 de novembro, a atração ganhou plateia, novo cenário, formato e o apresentador Zeca Camargo. Durante cerca de um ano, o “Vídeo Show” foi centrado na presença de um convidado, com direito a entrevistas, games e cenas que relembravam com bom humor a trajetória desse artista. A primeira convidada foi a atriz Susana Vieira. Porém, o formato não decolou, e a fase mais ‘estranha’ do programa teve vida curta. 

DA DUPLA MÔNICA E OTA AO FIM DO PROGRAMA:

Dupla Mônica e Ota no comando do Vídeo Show (Foto: Divulgação / GShow)

Monica Iozzi e Otaviano Costa estrearam na bancada no dia 6 de abril de 2015. A atração voltou a ser ao vivo e ganhou novo cenário, com bancada e telão de LED que exibia imagens coloridas. O retorno de Cissa Guimarães, com o quadro ‘Gentem como a Gente’, e Miguel Falabella, que encerra o programa com mensagens e o clássico namastê, foram comemorados. Após dez meses à frente do programa, Mônica Iozzi deixou o programa. Vale lembrar, que a fase de Otaviano e Mônica é considerada uma das melhores da história do “Vídeo Show”, devido a irreverência e espontaneidade de ambos apresentadores. 

Apresentadores do programa na comemoração dos seus 35 anos em 2018 (Foto: Divulgação / GShow)

Em 2019, depois de inúmeras tentativas causada a fim de salvar o programa, que vinha de uma crise desde a saída de Mônica Iozzi, o “Vídeo Show” chegava ao fim, sendo substituído pela extensão da “Sessão da Tarde”. O principal motivo para o seu término foi os baixos índices de audiência – desde 2016, o programa constantemente ficava em segundo lugar e, desde agosto de 2018, não atingia mais o primeiro lugar, perdendo para a “Hora da Venenosa”, da Record TV, sendo que algumas vezes chegava a ficar em terceiro atrás das reprises de Chaves, no SBT.

Apesar do programa não existir mais, mesmo com alguns boatos que dizem que ele pode voltar. É possível dizer que o programa está sempre presente, ainda mais agora neste período de pandemia, onde a nostalgia está mais presente do que nunca. E é com esse lema que eu posso dizer que o “Vídeo Show” permanece sempre em nossos corações.

Gabriel Ferreira – Estudante de Jornalismo

You may also like

More in:Cultura

2 Comments

  1. Nossa! Não sabia muito sobre o programa e eu adorava assitir quando era comandado pela Mônica e pelo Otaviano. O programa faz muita falta, pena que acabou…

    1. Maria, fico feliz que tenha gostado do texto! Se liga aqui na coluna, que tem excelentes textos como esse vindo por aí. Abraços!

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *