Cia. Novelo estreia no Parque Augusta a peça O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, uma livre adaptação do romance de Jorge Amado

12 min. leitura
Foto: José de Holanda

Depois de circular por cinco anos com “Sonho de uma Noite de Verão”, a Cia. Novelo volta a ocupar espaços públicos com seu segundo trabalho: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, uma livre adaptação do romance infantojuvenil de Jorge Amado. A peça estreia no dia 28 de maio no Parque Augusta, onde fica em cartaz até 17 de junho, aos sábados e domingos, às 15h (sessões extras acontecem nos dias 16 e 17/6, no mesmo horário).


** Sessão do dia 19/06 acontece no Parque do Carmo.
** Sessões dos domingos com tradução em Libras.

O espetáculo tem direção de Maristela Chelala; direção musical de Marco França; e elenco formado por Beatriz Kovacsik, Domitila Gonzalez, Maria Eugênia Portolano, Samya Pascotto, Thalita Trevisani e Valérie Mesquita. 

O romance “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” foi escrito pelo autor baiano em 1948 como um presente de aniversário para seu filho João Jorge, que fazia um ano na ocasião. A obra, que só seria publicada pela primeira vez em 1976, é uma fábula sobre um amor proibido entre dois seres bem diferentes.

O Gato Malhado é visto pelos outros animais do parque com desconfiança, exceto pela Andorinha Sinhá, que não tem receio algum de sua presença. Mas o amor entre os dois não pode acontecer porque existe uma lei que jamais pode ser quebrada: os bichos só podem se casar com outros da mesma espécie.

“A peça fala da possibilidade de você se apaixonar. Tem uma frase que aparece nas nossas músicas: ainda dá tempo de amar. Também falamos sobre a possibilidade de se encantar com a beleza, sobre o amor de contar histórias, sobre essa ligação que existe entre as pessoas e sobre estarmos juntos e dividirmos o mesmo planeta”, define a atriz Domitila Gonzalez.

Embora tenha como ponto de partida uma obra infantojuvenil, a montagem explora essa linguagem popular, capaz de se comunicar com públicos de diferentes idades, com direito a muitas músicas originais costuradas à dramaturgia e interpretadas ao vivo pelo elenco.

“Gosto de uma frase do posfácio do livro, que define a obra como direcionada a crianças extremamente inteligentes de todas as idades. E, quando o Marco França nos provocava durante a criação do espetáculo, ele falava muito de um teatro feito para a infância – a das crianças, a minha, a sua e a de cada um de nós, sem deixar de falar as coisas importantes”, revela Samya Pascotto.

E esse caráter popular e democrático é o que mais encanta as integrantes da Cia. Novelo. “Nem cogitamos fazer teatro em uma sala, porque somos apaixonadas pela rua. É um espaço onde as pessoas realmente param para ouvir as histórias. E sempre falamos que o teatro de rua também procura despertar o olhar mais afetuoso do público para a cidade e tudo o que acontece ao seu redor. A rua é nossa, é da cidade, é do cidadão, é nosso lugar de direito. E conseguimos acessar muita gente que nunca teve a oportunidade de ir ao teatro. Tem a ver com a sensibilidade, com o afeto e com o despertar do olhar para a Cultura e para o teatro”, diz Gonzalez

O processo criativo

A ideia de montar “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” surgiu quando o grupo decidiu partir para o seu segundo espetáculo depois de circular por cinco anos com “Sonho de uma Noite de Verão” em parques, praças, unidades do Sesc e outros espaços a céu aberto. 

“Lembro de ter sugerido este texto porque já gostava muito e, quando fizemos uma leitura da obra, todo mundo terminou com lágrimas nos olhos. Logo sabíamos que ele tinha o nosso tom e tudo a ver com o que gostamos de investigar. Era lúdico, encantador, mágico, poético e engraçado, mas sem se levar tanto a sério”, comenta Pascotto.

As atrizes da companhia ainda contam que a montagem do espetáculo começou com a direção de Marco França, que foi responsável por um trabalho de provocação para a escrita da dramaturgia e composição das músicas. No começo de 2022, ele não pôde estar presente, por isso, elas convidaram a diretora Maristela Chelala para assumir a posição. 

“Foi muito engraçado que quando a Maristela chegou, ela disse que a nossa voz estava à frente de tudo, que foi algo que pesquisamos bastante com o Marco. E ela trouxe esse trabalho corporal incrível, complementando tudo”, explica Maria Eugênia Portolano.

Sobre a dramaturgia criada coletivamente pelo grupo, Maristela Chelala, que dirige pela primeira vez uma peça de teatro de rua, revela: “É um texto muito escrito em cima do jogo entre as personagens e as atrizes. O teatro de rua é um universo que eu amo e me apavorava, porque, nele, o céu é o limite. Acho que, depois de tudo que passamos nos últimos anos de pandemia, temos mesmo é que ir para a rua. Temos que ocupar os espaços e falar”.

“A encenação tem muito a ver com a linguagem do palhaço, apesar de elas não usarem o nariz em cena. Mas isso tem a ver com o texto que elas me trouxeram, que tem muito do jogo do palhaço. E isso me atrai muito! A encenação acaba indo para esse lugar popular, que eu adoro, que é para todo mundo – fora e dentro do teatro”, acrescenta.

“Outra referência investigada pela Cia. Novelo foi o circo. “O circo veio com a Maristela, que trouxe junto o Dinho Hortencio, nosso preparador corporal. Tínhamos esse desejo há bastante tempo de experimentar um pouco dessa linguagem”, reflete Portolano”.

Ainda de acordo com as artistas da Cia. Novelo, o grupo passou seis anos inscrevendo projetos em leis de incentivo à Cultura e editais de empresas para tentar levantar a montagem. Mas a produção só foi possível graças ao IBT – Instituto Brasileiro de Teatro, que financiou o trabalho apenas com recursos de pessoas físicas. Este é o segundo trabalho realizado dessa maneira pela instituição, que acaba de estrear Diabinho e outras peças curtas de Caryl Churchill no MASP.

“Levantamos o ‘Sonho de uma Noite de Verão’ com financiamento coletivo e passando o chapéu depois das apresentações. Desta vez, queríamos ser devidamente remuneradas pelo nosso trabalho e já estávamos quase desistindo desse projeto. Assim como queremos despertar o olhar do público na rua para a beleza, o IBT tem essa importância de mostrar para as empresas e pessoas que podem financiar o teatro que a arte é importante e que os artistas são profissionais e precisam ser valorizados”, defende a atriz Thalita Trevisani.

IBT – Instituto Brasileiro de Teatro

O Instituto Brasileiro de Teatro é uma organização sem fins lucrativos que tem como sonho popularizar o teatro no Brasil e valorizar o trabalho dos profissionais das artes cênicas. A entidade tem a proposta de levar ao público a oportunidade de vivenciar grandes peças teatrais, em teatros únicos, a preços populares.

Sinopse

O espetáculo é uma fábula de amor proibido entre um gato e uma andorinha que vivem no mesmo parque. O Gato Malhado é visto por todos os animais como mau, exceto pela Andorinha Sinhá, que não tem receio algum de sua presença. Mas o amor entre os dois não pode acontecer, não só porque o gato é visto com desconfiança, mas porque existe uma lei que jamais pode ser quebrada: gato só pode se casar com gata e andorinha, com andorinha.

Ficha Técnica

Direção: Maristela Chelala

Concepção: Cia. Novelo

Direção Musical: Marco França

Dramaturgia: Samya Pascotto, Valérie Mesquita, Domitila Gonzalez

Colaboração dramatúrgica: Thalita Trevisani, Marina Campanatti, Beatriz Kovacsik, Maria Eugênia Portolano, Maristela Chelala.

Provocação de dramaturgia: Marco França

Arranjos: Marco França e Domitila Gonzalez 

Músicas originais:

“Era uma vez, Antigamente”

Composição:  Domitila Gonzalez. Colaboração: Samya Pascotto

“Repente do Gato mau, miau”

Composição: Samya Pascotto

“O primeiro amor”, “Tema do Rouxinol”, “Balada brega”, “Coração-Passarinho”, “A última carta”, “Teia de Aranha”, “Valsa do Amor ruim (para Sinhá)”, “Seresta Ventada”, “Tema do Outono”

Composição: Domitila Gonzalez 

“Tango das Murmurações”

Composição: Domitila Gonzalez, Samya Pascotto, Thalita Trevisani, Valérie Mesquita, Marina Campanatti

“Marchinha do soneto mal-escrito”

Composição a partir do soneto escrito pelo personagem Gato Malhado: Domitila Gonzalez. 

“O Mundo só vai prestar”

Composição a partir do poema de Estêvão da Escuna: Domitila Gonzalez 

Direção de movimento: Dinho Hortencio

Elenco: Beatriz Kovacsik, Domitila Gonzalez, Maria Eugênia Portolano, Samya Pascotto, Thalita Trevisani, Valérie Mesquita

Cenografia – Concepção e Arquitetura: Estúdio Chão / Adriano Carneiro de Mendonça, Antônio Pedro Coutinho, Leonardo Ribeiro

Construção de cenário: Bruno Fonseca

Arte e Pintura de cenário: Tainan Cabral 

Figurino: Marichilene Artisevskis

Costura: Judite Geronimo de Lima

Adereços: Beatriz Kovacsik

Visagismo: Samya Pascotto

Realização: IBT

Produção executiva: Oliver Tibeau

Direção de Produção: Nathalia Gouvêa

Assistência de Produção: Vitória Rodrigues

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Design Gráfico: Estúdio Alles Blau 

Fotografia de divulgação: José de Holanda

Intérprete em Libras: Jhafiny Lima

Desenho de Som: André Teles

Técnico de som: André Teles

Operador de Som: André Teles e Viviane Barbosa

Assistente de Som: Lucas Paiva 

Apoio: Prefeitura de São Paulo e Secretaria do Verde e do Meio Ambiente

Apoio: Ateliê397

Este projeto foi financiado pelo IBT – Instituto Brasileiro de Teatro, com recursos de pessoas físicas e sem uso de leis de Incentivo à Cultura

Serviço

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, com a Cia. Novelo

Temporada: de 28 de maio a 17 de junho, aos sábados e domingos, às 15h (com sessões extras nos dias 16 e 17 de junho. *A apresentação do dia 19/06 será no Parque do Carmo, às 15h).

Parque Augusta – Rua Augusta, 200, Consolação

Classificação: livre

Ingressos: grátis (basta chegar e assistir ao espetáculo)

Duração: 70 minutos

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