Mais de 80 indígenas do povo Warao, refugiados da Venezuela, já foram mobilizados pelas “Brigadas Ecológicas” do Centro de Sustentabilidade Amazonas, realizadas em diferentes comunidades de Manaus. As atividades reúnem moradores, lideranças e voluntários em ações de cuidado ambiental, educação e melhoria dos espaços comunitários, fortalecendo a participação da população refugiada e migrante na construção de soluções para desafios presentes no cotidiano urbano.

A primeira ação foi promovida no bairro Tarumã-Açu, onde vivem 14 famílias indígenas Warao refugiadas da Venezuela, totalizando aproximadamente 51 pessoas. Com o apoio de voluntários, os moradores participaram de um mutirão que envolveu limpeza da área externa, coleta de resíduos sólidos, capinação, instalação de uma lixeira comunitária, atividades de educação ambiental com crianças e jovens e um sopão comunitário.

Uma das lideranças locais, Simplicio Antonio Nunes, do povo Warao, que vive em Manaus há 11 anos, destacou a importância da ação para a saúde e o bem-estar das famílias. “Estamos aqui arrumando agora a nossa casa para que não fiquemos doentes com carapanã e todo caso de enfermidade, como a diarreia e a febre. Agradeço primeiro a Deus e agradeço à instituição Hermanitos, que está ajudando todos nós”, disse.

De acordo com Anderson Mattos, coordenador de projetos e cofundador do Instituto Hermanitos, a atuação do Centro de Sustentabilidade Amazonas parte das demandas apresentadas pelos próprios moradores. “A gente sabe que o lixo pode ocasionar doenças e, por meio do Centro de Sustentabilidade, estamos construindo soluções para a comunidade. Então, realizamos um mutirão de limpeza na entrada do Casarão. Também promovemos uma atividade de educação ambiental e um sopão com as mulheres, nessa proposta de resgatar e valorizar a cultura e a tradição por meio da gastronomia e da alimentação.

Acreditamos que esse é o caminho para construirmos soluções, colocando a sociedade civil e essa população refugiada, migrante e indígena no centro, valorizando os saberes deles e para que todos possam ter uma vida com dignidade”, afirmou.

A segunda mobilização ocorreu no bairro Cidade de Deus, também em Manaus, reunindo mais de 30 indígenas Warao. No local, também foram realizadas as mesmas atividades de limpeza e educação ambiental. O encontro ainda promoveu troca de saberes, mobilização e fortalecimento dos vínculos comunitários.
A realização das atividades em diferentes territórios amplia a proposta das Brigadas Ecológicas de estimular o protagonismo das comunidades indígenas Warao na identificação de problemas e na construção coletiva de alternativas. Entre os temas trabalhados estão a gestão adequada dos resíduos, o acesso à água, a prevenção de doenças e o fortalecimento da resiliência diante dos impactos das mudanças climáticas.
“Todo o trabalho parte da escuta comunitária, da construção conjunta de soluções e do empoderamento das pessoas para que sejam protagonistas das transformações em seus territórios. A gestão de resíduos sólidos, tema desta atividade, contribui diretamente para a saúde e o bem-estar das comunidades, além de ajudar a reduzir riscos e aumentar a resiliência face a eventos climáticos extremos”, destaca Juliana Serra, chefe do escritório do ACNUR em Manaus.
Próxima ação
A programação das Brigadas Ecológicas terá continuidade ainda neste mês, com uma nova atividade prevista para acontecer em Manaus. Promovidas pelo Centro de Sustentabilidade Amazonas, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) coordenada pelo Instituto Hermanitos, as ações contam com apoio do Multi-Partner Trust Fund Office (MPTF) e da LONGi Green Energy Technology Co., Ltd.
Sobre o Centro de Sustentabilidade Amazonas
O Centro de Sustentabilidade Amazonas desenvolve ações voltadas à sustentabilidade, adaptação cultural, fortalecimento comunitário e inclusão socioeconômica de refugiados e migrantes em Manaus, com atenção especial às populações indígenas urbanas.
(Crédito: Divulgação)
