Nova iniciativa da prefeitura da capital busca valorizar elementos da cultura afro-brasileira e emponderar empreendedores negros locais
O turismo é um setor-chave da economia da sociedade, envolvendo trabalhadores e empreendedores de variados tipos. Quando se viaja, o turista não está apenas conhecendo um novo lugar e acumulando experiências que levará pelo resto da vida: também está ajudando a valorizar a cultura daquela região.
E ao falar de turismo em Salvador, não dá para não pensar em como a cidade é um dos principais pontos de afroturismo do país. Não sabe o que esse termo quer dizer? Não se preocupe: abaixo, detalhamos os objetivos desse movimento e alguns pontos da capital soteropolitana que destacam a cultura negra.
O que é afroturismo?
Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais necessário discutir pautas raciais e antirracistas, sendo esse um debate que ganhou de vez relevância na sociedade. E quando se discute quais ações afirmativas podem ser tomadas para colaborar com a desconstrução do racismo estrutural, é importante pensar em ações nas mais variadas áreas da sociedade.
Uma delas é o turismo, um setor importante e essencial na vida de muitas pessoas. Diante desse cenário, ganhou destaque o afroturismo, uma vertente que procura destacar a cultura negra dos locais visitados. Assim, valoriza-se e põe como prioridade elementos históricos, culturais, artísticos e gastronômicos da cultura negra local.
Além disso, o afroturismo é uma iniciativa que busca priorizar também os fornecedores negros envolvidos nessa cadeia produtiva, que pode incluir do artesão local até funcionários de companhias aéreas. Isso sem contar o objetivo de que essas ações consigam deixar os viajantes negros mais acolhidos, confortáveis e seguros ao viajar.
Salvador: capital brasileira do afroturismo
E a cidade de Salvador tem planos para incentivar esse tipo de turismo, atraindo turistas tanto do Brasil quanto do exterior. A capital baiana é uma das cidades com maior população negra do mundo fora da África, sendo um símbolo nacional de religiosidade, diáspora, resistência e diversidade da comunidade negra.
Por causa dessa rica história, a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, decidiu criar o projeto Salvador Capital Afro. A ação busca valorizar as iniciativas e manifestações culturais negras existentes na cidade, destacando as tecnologias ancestrais, o potencial criativo e o incentivo ao chamado Black Money, como forma de favorecer os negócios e empreendimentos de pessoas negras.
Com isso, as ações promovidas pelo projeto incentivam áreas da capital que têm potencial para se transformar em referência nesse tipo de turismo. Busca-se proporcionar ao turista uma série de experiências que sejam afrocentradas, oferecendo aos interessados nesse tipo de turismo a chance de conhecer e se encantar com elementos da cultura negra.
Entre as iniciativas propostas pelo Salvador Capital Afro, estão a realização de um festival inédito e ações que destaquem empreendimentos da cultura afro existentes em diferentes cantos da cidade. Além disso, também há a ação Baiana Legal, movimento que busca proporcionar o fortalecimento e a visibilidade das baianas de acarajé que atuam na capital.
Pontos de valorização da cultura negra
Além das ações fomentadas pelo projeto, o turista ainda tem a oportunidade de conhecer alguns pontos turísticos que valorizam a cultura negra na cidade. Isso permite conhecer a cidade por outros olhos, indo bem além das praias.
Um deles é o Museu Afro-Brasileiro da UFBA, voltado exclusivamente para a cultura africana. Ele abriga peças de diferentes regiões da África, destacando a diversidade de povos que foram trazidos à força ao Brasil ao serem escravizados. O local também tem peças e objetos de origem brasileira, que destacam a produção cultural negra no país.
Outro museu que vale a visita é o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira. Ele é voltado para abordar a influência da herança africana na cultura nacional, tendo obras que destacam a identidade negra, o processo de tráfico de pessoas, a escravidão e também a resistência, a partir da formação de quilombos. Isso sem contar a contribuição presente na cultura popular, seja na religiosidade, na música ou na culinária.
Já no Centro Histórico de Salvador, na Ladeira do Carmo, está o ZUMVI Arquivo Fotográfico. Essa é uma instituição idealizada na década de 1990, que é um coletivo de fotógrafos negros que criaram uma galeria de imagens comprometida com a imagem afirmativa do povo negro. Assim, o visitante pode encontrar uma coletânea de imagens da cultura afro-brasileira, que é um verdadeiro arquivo de memórias imagéticas dos negros.
