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O que há de errado?

Foto: Divulgação

Com o surgimento da cultura de massa no século XVII, o significado desse fenômeno de fato se firmou com a consolidação dos meios de comunicação, que teve impacto de forma imensurável na sociedade. Muitos hábitos, até então, foram sendo modelados bruscamente e de forma rápida pela chegada do ”novo”. Mas, podemos dizer que esse novo, por mais prático que seja em nosso dia a dia, traz ainda assim a autenticidade em suas informações e pesquisas?

Livros em brochura e de capa dura tem tomado seus esconderijos em fundos de gavetas abandonadas e empoeiradas ao decorrer dos anos pelo desenvolvimento do desapego acelerado da sociedade pelo seu uso, achando nos braços de um outro alguém uma escapatória mais útil e — talvez — eficaz em suas vidas. A internet trouxe, então,  uma inauguração a esse âmbito social, a sociedade da informação, onde a mesma possibilita aos indivíduos um acesso democratizado e total ao conhecimento através diretamente dos meios de comunicação. O ser humano, diante de tanta novidade, desprendeu-se de longos textos explicativos de livros didáticos e enciclopédias, deixando por se cativar a textos curtos e diretos, ignorando até mesmo a legitimidade que, até então, deveria estar presente nesse ”acervo” de conhecimento. Em tempos atuais, ter praticidade e agilidade também acaba custando caro, entretanto.

O ser humano como indivíduo, desde o princípio,  mostrou necessidade em se comunicar e principalmente de compartilhar seus pensamentos com aqueles de interesse comum, criando a partir dessa ”carência” as distintas opiniões públicas na comunidade. Essas esferas públicas iniciaram um marco definitivo nas relações, trazendo para todos uma abundância de variados pontos de vista compondo o que é hoje, uma sociedade do conhecimento. Um grupo social com conhecimento enriquecido, de certa forma, é uma dádiva, mas até onde vai a verdade de tal conhecimento absorvido por muitos?

Como já citado anteriormente, o mundo tecnológico trouxe para todos uma grande acessibilidade, convertendo estudos de páginas datilografadas em páginas virtuais da web abarrotadas de hiperlinks e hipertextos, mas, alimentando então um personagem secundário prestes a se tornar inimigo desse enredo na vida real: o comodismo. Com a facilidade ganha de interagir com tudo que ocorre ao nosso redor, veio junto também a oportunidade de opinar sobre, e a partir desse momento, a diminuição de veracidade das ideias ditas tem se agravado em tempos na rede. O que antes precisava de vários anos de análise para concluir tal juízo e ser digno de possuir autenticidade, na contemporaneidade é tratado como algo dispensável, havendo assim, uma certa desvalorização dos estudos que foram deixados por grandes nomes dos antepassados. Pode-se dizer que, o século XXI, está no seu apogeu da indiferença e desconsideração pelos fatos. A verdade é que, não importa o quão engrandecido seja o argumento embasado por uma teoria — a mais óbvia que seja — já criada, ela pode e na maioria das vezes é, ignorada completamente por aquele que foi cativado pela falácia na manchete de uma matéria qualquer e não averiguada na internet.

Por mais que o avanço tecnológico tenha trazido para o jornalismo moderno, por exemplo, uma bandeja com a faca e o queijo, a profissão da área de comunicação vem sofrendo embates, também. Jornalistas que passam seus dias em dedicação à procura de grandes pesquisas e fontes confiáveis como intermédio para fazer uma boa e compreensível matéria, vem sendo tratados com desprezo por muitos. Pesquisas estão sendo desconstruídas no ‘estalar de um click’, mas não por culpa da ascensão da internet, e sim pelo comodismo assim criado por nós indivíduos, que se seduzem facilmente pelo ágil quando mal sabem que a pérola da informação está na concha que ignoram nas profundezas dessa água salgada e de correntezas fortes. O fácil é bom, mas o árduo traz convicção.


Ana Luiza Portella – estudante de jornalismo

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