O Fim de uma era na TV – Fausto Silva

Gabriel Ferreira
5 min. leitura

Aos 70 anos de vida e com 55 anos de vida artística. Fausto Silva deixará a Rede Globo e o comando de seu programa, o Domingão do Faustão no fim do ano. O apresentador, que possui uma vasta experiência tanto em Rádio quanto na Televisão, decidiu não renovar o seu contrato com a emissora que trabalha desde 1989, dando fim a era de um dos apresentadores mais queridos e consagrados que a TV Brasileira já viu. 

Faustão a frente do Perdidos na Noite (Foto: Divulgação / Band)

Antes de ingressar na Globo, Faustão se destacou através do programa Balancê na Rádio Excelsior de São Paulo, mas foi na Televisão que o comunicador despontou à frente dos Perdidos na Noite. A atração que virou sucesso em todo o Brasil, tornou-se símbolo de uma geração que oscilava entre a euforia pelo fim da ditadura e a preocupação com a economia em frangalhos, juntamente com a irreverência e o improviso de seu comandante, existentes até hoje.

Com Fausto Silva, o povão se viu outra vez, e de cara lavada, na tela da Globo, que, por algumas horas, deixava de lado o seu padrão de qualidade para fazer algo propositalmente informal. Uma vez que, a emissora de líder se via carente de programas de apelo popular, como era o Cassino do Chacrinha, extinto em 1988 com a morte de seu apresentador. A partir daí, protagonizou três décadas de uma guerra sem tréguas pela liderança de audiência aos domingos. Entre erros e acertos, derrotas e vitórias, conseguiu firmar a Globo no topo do pódio e ocupar um espaço nobre na memória afetiva de milhões de brasileiros através de quadros antológicos: de Olimpíadas do Faustão a Dança dos Famosos, passando por Jogo da Velha, Arquivo Confidencial, Se Vira nos Trinta, Sexolândia e, claro, Videocassetadas, verdadeira instituição dos fins de semana tupiniquins.

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‘Fomos rivais, jamais inimigos’, diz Faustão ao homenagear Gugu, em decorrência de sua morte (Foto: Reprodução – Globo – SBT / Montagem – RD1)

Uma das curiosidades mais lembradas pelos telespectadores e os fãs apaixonados por Televisão, é a guerra dominical de audiência com o apresentador Gugu Liberato, à frente do seu Domingo Legal no SBT nos anos 1990. Concorrentes diretos, cada programa tinha o próprio método peculiar para conseguir um segundo que fosse da atenção dos telespectadores, apresentando de tudo um pouco, inclusive, quadros com apelos sexuais que variavam do Sushi Erótico até a Banheira do Gugu. Apesar de ter uma repercussão negativa na época, a tática de vale tudo entre ambos apresentadores só chegou ao fim em 2003, quando o apresentador do SBT exibiu uma entrevista falsa com membros do PCC — o que abalou para sempre sua reputação, deixando Faustão na liderança isolada até os dias de hoje.

Fausto Silva em um dos memes mais icônicos de seu programa (Foto: Reprodução /
Globoplay)

Responsável por bordões inesquecíveis como “Errou…” e “Tá pegando fogo aí, bicho..”, Faustão deixa um grande legado para os atuais e futuros comunicadores de que é possível fazer um bom programa de auditório sem a fórmula do assistencialismo, representando o espírito de animador que só o apresentador e Silvio Santos possuem atualmente, capazes de alegrar gente do povo que, de forma genuína, quer se divertir e se aproximar daquele ídolo que parecia inatingível. Tanto que muitos artistas encaram a ida a atração como a certificação do seu sucesso, marca maior do auge de suas carreiras.

O fim do Domingão representa um ponto final naquela que foi a mais bem sucedida tentativa da Globo em se tornar mais popular, alcançando um bom costume do brasileiro em sintonizar no Faustão, que liga conteúdos tão distintos como ninguém.

Gabriel Ferreira – Estudante de Jornalismo

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