O dilema de Maurício Kubrusly frente ao diagnóstico de Demência Fronto Temporal

Andrea Ladislau
Andrea Ladislau - Saúde Mental
6 min. leitura

Quem não se lembra do jeito irreverente de fazer jornalismo de Maurício Kubrusly? Hoje, aos 77 anos, morando no Sul da Bahia, o repórter enfrenta um dilema: conviver com o diagnóstico de Demência Fronto Temporal, uma deficiência que altera a capacidade cognitiva do indivíduo e afeta seu poder de captação e manipulação da comunicação, agindo diretamente na escassez das habilidades cognitivas do ser humano e alterando inclusive o humor.

Essa condição de saúde, interrompe décadas de sucesso na TV brasileira, com sua alegria e improviso ao dar notícia ou contar história no extinto programa “Me leva Brasil”. Uma aposentadoria precoce que interrompe a atividade laboral, por conta de um problema de saúde. Situação comum nos dias atuais. Neste caso, existe a deficiência de formulação e compreensão da linguagem e da memória, característica da demência, mostram que se fará necessária a adaptação e ressignificação de toda uma vida.

Assim como Maurício, muitas pessoas, se encontram neste lugar da “parada”, ou do estacionar seu trabalho e vida social, em decorrência dos cuidados consigo mesmo. O grande ponto aqui é cuidar da saúde e, principalmente, não permitir que uma situação como essa afete seu emocional.

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Uma rede de apoio em casos como esse, se faz fundamental, para que esse indivíduo que esteve ativo ao longo de toda sua vida, viveu sob a mira de holofotes e mantinha um alinhamento social constante, não entre em um estado depressivo, tornando assim, a demência uma porta aberta para transtornos ou outras neuroses oportunistas.

Toda essa situação hoje vivenciada pelo jornalista, nos faz pensar e refletir que em alguns momentos, nosso corpo pode nos parar. Nossa mente pode nos parar. É preciso ter sabedoria para reconhecer que essa pausa é, extremamente, necessária. Infelizmente, o paciente diagnosticado com essa doença, fica debilitado mentalmente e fisicamente. Perdendo suas funções de linguagem e se torna, de certa forma, dependendo total das pessoas mais próximas.

Sem dúvida, é um tempo de ressignificar nossas forças e perceber que até os fortes precisam parar. São anos de muitos trabalhos à frente das câmeras que tornaram esse jornalista “familiar” no cenário televisivo, hoje, estacionado por uma lesão cerebral que causa um distúrbio de linguagem e cala a “persona” principal.

Mas o grande ponto que deve ser observado é que, os sinais já vinham se manifestando há algum tempo, demonstrando que algo estava fora dos eixos. Com isso, o afastamento de suas atividades se tornou necessário, uma vez que, o esquecimento das falas, os apagões momentâneos e a apatia frente a algumas situações, denunciavam um pedido de socorro.

Diante desta constatação, aproveito para ressaltar a importância de “ouvir” seu corpo. Dar voz à suas dores e aos pequenos sinais de irregularidades, como: dores crônicas, alterações de pele ou físicas inesperadas, dentre outras anormalidades do organismo. Lembrando da máxima psicanalítica de que o corpo fala, certamente, ele pode estar emitindo um alerta para que se tenham mais cuidado com a mente e o físico. Somos as nossas histórias. Somos as nossas dores e alegrias.

Estamos em constante evolução e claro que, a vida imediatista, nem sempre nos deixa perceber que a desaceleração é necessária. Preservar o emocional e valorizar o cuidado com o organismo e o biológico, são regras indispensáveis para que se viva cada vez mais e com maior qualidade de vida.

Enfim, lamentamos a notícia do presente diagnóstico de Maurício Kubrusly. Demência é coisa séria. E fica a tristeza em saber que não teremos mais a alegria e o humor do jornalista em novos programas da TV, por conta de sua condição clínica. O que nos leva a refletir que somos suscetíveis a doenças e que estas precisam ser acompanhadas de perto desde os primeiros sinais de qualquer sintoma.

Afinal, não existe isenção de dor ou invencibilidade para o ser humano. Ainda não chegamos neste estágio. Portanto, a grande lição é viver a cada dia como se fosse o último. Desacelerar. Prestar atenção aos detalhes e aos sinais de desequilíbrio que possam estar sendo emitidos pelo corpo e pela mente, que são fundamentais na construção do bem estar físico e emocional.          

Crédito da foto: Reprodução Fantástico


andrea ladislau

Andréa Ladislau   

Psicanalista (SPM); Doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras –cadeira de número 15 de Ciências Sociais; administradora hospitalar e gestão em saúde (AIEC/Estácio); pós-graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social (Facei); professora na graduação em Psicanálise; embaixadora e diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói; membro do Conselho de Comissão de Ética e Acompanhamento Profissional do Instituto Miesperanza; professora associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo; professora associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites; graduada em Letras – Português e Inglês pela PUC de Belo Horizonte.

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