Mova Protocol atinge valuation de R$ 180 milhões e avança na consolidação como infraestrutura de dados para mobilidade e impacto ambiental

Redação
9 min. leitura

Empresa projeta alcançar um milhão de usuários ainda neste ano e receita anual de até R$ 270 milhões em um horizonte de cinco anos.

A Mova Protocol anunciou a atualização de seu valuation para R$ 180 milhões após concluir um investimento seed de US$ 3 milhões, marcando a transição da fase de validação tecnológica para execução em escala. A estimativa foi construída com base em fluxo de caixa descontado (DCF), a partir de projeções financeiras, premissas conservadoras de crescimento e investimento, e a incorporação de valor terminal para capturar o potencial de longo prazo do negócio. Com mais de 25 mil usuários cadastrados atualmente, a plataforma projeta atingir um milhão de usuários até o final do segundo trimestre deste ano.

A companhia opera uma infraestrutura de dados construída a partir do uso real de veículos urbanos, com foco na geração de inteligência operacional, relatórios ambientais auditáveis e, no médio e longo prazo, créditos de carbono baseados em informações verificáveis. Atuando na convergência entre mobilidade urbana, marketplace automotivo, eletromobilidade e inteligência de dados, a Mova iniciou sua operação no Brasil. O novo patamar de valorização reconhece não apenas a execução tecnológica já entregue, mas a capacidade da empresa de escalar um modelo econômico em um mercado estruturalmente carente de dados confiáveis sobre uso real de veículos.

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Para o Diretor de Produtos da Mova, Antônio Farias, que atua em blockchain desde 2018, o valuation reflete a maturidade da operação

-O valuation de R$ 180 milhões se apoia em três fatores centrais. Primeiro, a Mova possui um produto tecnológico em operação, com telemetria contínua, mecanismos de validação antifraude e arquitetura escalável. Desenvolvemos um sistema próprio de qualificação de dados e identificação progressiva de veículos que preserva a privacidade dos usuários e reduz riscos regulatórios. Segundo, apresentamos crescimento orgânico acelerado e projetamos atingir um milhão de usuários até o final do segundo trimestre deste ano. A base atual já demonstra uso recorrente e geração contínua de dados proprietários de mobilidade urbana. Terceiro, estruturamos um modelo de negócios diversificado em verticais independentes e complementares. Atualmente, o marketplace automotivo e a integração com eletropostos são o principal motor de receita no curto prazo, com monetização baseada em leads qualificados e revenue share com parceiros de serviços e produtos, além de dados e relatórios para os usuários e empresas com alta margem e baixo custo incremental.

O momento da Mova coincide com mudanças regulatórias no Brasil. Em 2026, companhias abertas, securitizadoras e fundos de investimento terão de reportar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. A Resolução 193/2023 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabeleceu as diretrizes para esses relatórios, com base no padrão internacional do International Sustainability Standards Board (ISSB). Essas exigências ampliam significativamente a demanda por dados auditáveis, rastreáveis e baseados em operação real.

Esse movimento regulatório acontece em paralelo ao crescimento dos carros elétricos e digitais no país, mas os dados de mobilidade permanecem fragmentados, não padronizados e concentrados em silos corporativos. A combinação entre pressão regulatória, crise climática e demanda por descarbonização cria um ambiente favorável para plataformas que oferecem dados verificáveis de mobilidade.

A proposta da Mova é transformar essa necessidade em um modelo de negócios. Na prática, o aplicativo gratuito captura dados de quilometragem e comportamento de condução através do celular do usuário. Essas informações são validadas, registradas em blockchain e convertidas em ativos digitais verificáveis. Os motoristas são recompensados conforme utilizam o veículo, enquanto a plataforma comercializa esses dados com organizações que precisam comprovar métricas ambientais, como seguradoras na avaliação de risco, empresas no cálculo de emissões reais de frotas e governos no planejamento de políticas de mobilidade urbana. Os pontos acumulados podem ser usados no marketplace automotivo para acesso a produtos e serviços de parceiros e, no futuro, convertidos em criptomoedas, ampliando as possibilidades de uso e liquidez.

Além do marketplace, a operação monetiza dados e relatórios B2B, integração com redes de recarga elétrica e, no médio e longo prazo, planeja gerar relatórios ambientais e emitir créditos de carbono baseados em dados reais de mobilidade. Com base nessas premissas, a Mova projeta receita anual de R$ 21 a 24 milhões em escala inicial e de R$ 240 a 270 milhões em um horizonte de cinco anos, com margens crescentes à medida que as verticais B2B e ambientais ganham escala.

Dados operacionais indicam consistência

Os indicadores atuais demonstram uso real e recorrente da plataforma. Com 25.280 usuários cadastrados, dos quais 13.180 são ativos, a taxa de ativação supera 53%. Já foram validados 121.940 trajetos, totalizando 2.764.500 quilômetros monitorados e mais de 148.300 horas de telemetria coletadas. Esses dados refletem padrões reais de mobilidade urbana em ambiente operacional. A base atual é composta majoritariamente por motoristas urbanos, motoristas de aplicativo e profissionais que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho, um público com alta recorrência de uso e geração constante de dados.

A proposta da empresa se diferencia de outras plataformas de tokenização e soluções ambientais por iniciar no dado real, não no ativo financeiro. A empresa opera com validação comportamental, identificação progressiva do veículo e privacidade por design. O usuário não precisa entender sobre criptomoedas e a camada tecnológica permanece invisível na experiência. Essa abordagem reduz riscos regulatórios, evita greenwashing e aumenta a confiança de parceiros institucionais.

Farias destaca que a demanda por dados auditáveis está crescendo porque organizações precisam comprovar suas métricas ambientais e operacionais com dados verificáveis, não estimativas:

“Os setores com maior tração são mobilidade urbana e logística leve, empresas com equipes em campo, energia e eletromobilidade, além de organizações pressionadas por relatórios ESG e escopo 3. O que une todos esses segmentos é a mesma lacuna: a ausência de dados confiáveis na ponta da operação. Empresas querem mensurar emissões reais de suas frotas, validar eficiência operacional de equipes externas e construir inventários de carbono auditáveis. A telemetria contínua e a validação comportamental que desenvolvemos respondem a essa necessidade de forma escalável, sem depender de autodeclaração ou estimativas genéricas. O mercado está migrando de métricas baseadas em premissas para métricas baseadas em evidências.”

A estratégia da Mova combina consolidação de receitas no curto prazo com preparação para mercados de maior margem, enquanto aprofunda sua infraestrutura de dados para viabilizar a entrada estruturada no mercado de créditos de carbono A empresa pretende fortalecer o marketplace automotivo como principal motor de receita inicial, integrar múltiplas redes de recarga elétrica e lançar relatórios B2B de uso e eficiência ainda este ano, enquanto escala as receitas ambientais e aprofunda o sistema de qualificação de dados para estruturar a entrada no mercado de créditos de carbono.

No horizonte de longo prazo, os objetivos incluem a emissão e comercialização de créditos baseados em dados reais, a expansão para países da América Latina e a consolidação como infraestrutura padrão de dados de mobilidade corporativa e governamental.

Sobre a Mova Protocol

A Mova Protocol é uma plataforma de dados de mobilidade urbana que combina telemetria contínua de veículos, inteligência operacional e tokenização ambiental. A empresa atua na convergência entre mobilidade, eletromobilidade e impacto ambiental, com operação inicial no Brasil e visão de expansão para a América Latina. A plataforma oferece marketplace automotivo, relatórios B2B de uso e eficiência, integração com redes de recarga elétrica e, no futuro, emissão de créditos de carbono baseados em dados verificáveis.

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