A obra de Jessé Apó se insere no campo da arte contemporânea brasileira como uma investigação sensível e política sobre as Diásporas Afro-Indígenas, articulando arte, espiritualidade e memória como dimensões inseparáveis. Artista visual com atuação em pintura a óleo, aquarela, xilogravura e escultura, Apó desenvolve uma produção marcada pela presença ritual, pela força simbólica das figuras e pela ativação de saberes ancestrais como dispositivos de criação e resistência.

Estudante e praticante de manifestações culturais brasileiras, sua pesquisa dialoga diretamente com o Maracatu de Baque Virado, a Capoeira Angola, as encantarias nordestinas e práticas ligadas ao xamanismo. Esses universos não aparecem em sua obra como referências folclóricas, mas como saberes vivos, territórios simbólicos que atravessam o corpo, o mito e o território. Nesse contexto, a Arte Visionária emerge como uma vertente fundamental de sua produção, posicionando sua obra em um nicho onde a ancestralidade brasileira se manifesta como eixo conceitual e poético, orientando tanto os temas quanto os processos de criação.
Produzindo telas desde 2012, Jessé Apó vem consolidando uma linguagem visual que tensiona o campo da representação, convocando o espectador a uma experiência que ultrapassa o olhar e se aproxima do rito. Suas figuras carregam camadas de memória, espiritualidade e identidade, estabelecendo um diálogo direto com questões contemporâneas sobre pertencimento, apagamento histórico e continuidade cultural.

Em janeiro de 2026, o artista realizou sua primeira exposição coletiva na The Coast Gallery, marco importante em sua trajetória no circuito expositivo. Desde então, passou a integrar também exposições na AVA Galleria e no Jockey Club de São Paulo, ampliando a circulação de sua pesquisa e afirmando sua presença no cenário da arte contemporânea, onde tradição e experimentação se encontram como forças complementares.
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