Em entrevistas e encontro com estudantes, Dani de Brito aborda o papel dos educadores, a diversidade nos livros e as possibilidades de leitura para diferentes públicos
O calendário de outubro aproxima questões que fazem parte do cotidiano de escritores e educadores: o direito da criança à imaginação, a formação de leitores e o acesso à literatura. No mês dedicado às crianças, aos professores e aos poetas, a escritora e arte-educadora Dani de Brito levou esses assuntos à televisão e a um encontro com estudantes em São Paulo.
Na edição de 8 de outubro do Programa de Quinta, da TV Brasil Central, Dani apresentou o Cafubira Literária, projeto que, segundo ela, atua em 17 municípios goianos. A proposta incentiva a leitura deleite e reúne recursos como audiolivros e vídeos para ampliar o contato com as histórias.
A autora também relatou estudos sobre materiais táteis para crianças cegas. Ao questionar representações simplificadas, como associar uma nuvem apenas ao algodão, o que não favorece a compreensão de pessoas que nasceram cegas, descreveu experiências com símbolos africanos em MDF para oferecer outras possibilidades de exploração das imagens.

A discussão sobre inclusão aparece ainda em Lápis cor de pele?, publicado originalmente em 2017. A obra parte do questionamento sobre uma única cor representar todas as pessoas e aborda identidade, pertencimento e diversidade em dimensões amplas.
Em participação na Conect TV, Dani relacionou a criação dos livros às experiências acumuladas como criança, mãe e professora. Também defendeu que a literatura preserve espaço para a diversão, sem precisar transmitir uma lição a cada história.
“A criança tem o direito de se divertir: a literatura não tem que ensinar sempre”, afirmou.
No Dia do Professor, em 15 de outubro, a escritora esteve em uma escola em São Paulo para contar histórias. A atividade mantém sua proximidade com os leitores e nutre sua escrita. Para ela, o interesse do educador pelos livros participa da formação dos estudantes, estimulando seu encantamento literário.
“O que mais encanta as crianças na leitura é a gente se encantar pela leitura”, disse à Conect TV.
Em Goiás, o aniversário de Goiânia, celebrado em 24 de outubro, estabelece outra conexão com sua obra. A capital é tema de seu título: 24 de outubro… Nasce uma capital: Goiânia, enquanto Venha conhecer Goiás apresenta referências culturais do estado, incluindo expressões regionais. A linguagem cotidiana torna-se, assim, parte da experiência literária e do reconhecimento de um lugar.
O Dia do Poeta, em 20 de outubro, e o Dia Nacional da Poesia, em 31, também dialogam com a produção da autora. Em Suspiros póstumos de um poeta desgarrado, seu livro publicado como prêmio recebido no X Festival de Poesia de Lisboa em 2025, Dani escreve para além do público infantil.
Essa circulação entre leitores acompanha sua resistência a delimitar rigidamente o alcance de uma história, ao classificá-la como literatura infantil. Na Conect TV, contou que sua mãe, de 77 anos, encontrou em A menina que morava na árvore uma reflexão sobre a escolha de ficar sozinha. O livro apresentado como leitura para crianças abriu, naquela conversa, uma interpretação sobre a velhice.
(Crédito: Luiz Pirandeli)
