Com a chegada de uma nova edição do Big Brother Brasil, o impacto das redes sociais na dinâmica do reality volta a ganhar destaque. Para Geórgia Fröhlich, CEO da Zaya Comunica, empresa especializada em gerenciamento de redes e posicionamento digital, o programa deixou de ser apenas um produto televisivo e passou a existir de forma ampliada nas plataformas digitais.
“Antigamente, os reality shows aconteciam em uma única plataforma. As famílias se reuniam na sala para assistir ao programa do dia e, por isso, era muito comum que as edições desenhassem claramente um mocinho e um vilão. Todo mundo assistia pela mesma perspectiva: a edição do programa”, explica Geórgia. Segundo ela, esse modelo fazia com que o público criasse preferências muito definidas. “Muito cedo surgia um participante pelo qual todos torciam e outro que o público queria ver fora do jogo.”
Esse cenário começou a mudar de forma mais intensa a partir das edições exibidas durante a pandemia. “Com o fortalecimento das redes sociais, os reality shows passaram a ser multiplataforma. Hoje, além da TV, o programa acontece em uma proporção gigantesca nas redes sociais, como Instagram, TikTok e outras plataformas”, afirma.
De acordo com a especialista, essa mudança impacta diretamente a forma como o público se posiciona. “Isso faz com que a gente veja torcidas que enxergam os participantes de maneiras muito diferentes, vários queridinhos ao mesmo tempo, polarização e múltiplas opiniões.” Ela ressalta que parte significativa da audiência acompanha o reality fora da televisão. “Muitas pessoas assistem apenas pelos cortes do Instagram e pelas páginas de entretenimento, e não necessariamente pela edição exibida na TV.”
Nesse contexto, o trabalho de gerenciamento das redes sociais se torna decisivo. “O gerenciamento das redes é determinante para saber se essa torcida estará motivada, se vai puxar mutirões de voto ou não”, diz. Para Geórgia, apesar da importância do desempenho dentro da casa, é fora dela que a relação com o público se consolida. “É nas redes sociais que a torcida se fortalece, se transforma em fã e se organiza. Hoje, a rede social é um fator decisivo tanto para a permanência no jogo quanto para o fortalecimento da marca pessoal do participante.”
A especialista também destaca a importância do alinhamento entre o que o público vê no programa e o que encontra nas redes. “A melhor receita é quando a personalidade real do participante dentro da casa conversa com a estratégia construída aqui fora”, pontua. Como exemplo, ela cita a participação de Manu Gavassi. “O posicionamento dela dentro do reality dialogava diretamente com o que acontecia nas redes sociais. Era a mesma narrativa sendo construída nos dois ambientes.”
Geórgia alerta que, quando esse alinhamento não acontece, o interesse tende a diminuir. “Há casos em que o participante chama atenção dentro da casa, mas, ao chegar às redes sociais, o público não encontra o mesmo tom ou a mesma narrativa. Quando a rede social não acompanha esse protagonismo, o interesse se perde.”
Ela reforça ainda a diferença entre o público da televisão e o das redes sociais. “O público do Big Brother na TV é muito plural. Já nas redes sociais, a audiência costuma ser mais parecida com a personalidade do participante, pessoas que se identificam e compartilham visões semelhantes.”
No caso dos participantes do grupo Pipoca, esse processo é ainda mais relevante. “Eles entram sem uma marca pessoal definida. A comunidade que conseguem formar nas redes pode acompanhá-los depois do programa, abrindo portas para parcerias, eventos e novos projetos profissionais.” Segundo Geórgia, o papel de familiares ou das agências responsáveis pelas redes é central nesse momento. “Eles podem ajudar ou atrapalhar diretamente a construção dessa nova trajetória quando o participante deixa o programa.”
(Foto: Arthur Duarte)
