Cultura

Diretora da Usina Brasil, Déborah Cohen, fala sobre a mulher no mercado.

Comemorando o mês do empreendedorismo feminino trouxemos para nossos leitores um bate-papo com Débora Cohen, empresária e diretora da produtora Usina Brasil. A frente de uma das produtoras que mais crescem no mercado de audiovisual para indústria da música, Déborah fala sobre a carreira, mercado e como se posiciona em um nicho tão competitivo.

Déborah, como surgiu a ideia de criar e gerenciar uma produtora artística com esse braço tão forte para o audiovisual?

Déborah Cohen: Tudo começou com a Valéria Valenssa, minha musa inspiradora, quando recebo a notícia que ela queria fazer um ano sabático. Nesta época éramos eu e Josie sonhando e projetando o futuro. A empresa até então tinha um foco voltado somente para gerenciamento de carreira e eventos. A Usina Brasil desenvolveu o departamento de Áudio Visual com a chegada do meu sócio, Maicon Freitass. Sempre busquei me cercar de pessoas com excelência e para a gravação de primeiro trabalho áudio visual fomos apresentados e desde então estamos nesta empreitada juntos. Hoje com orgulho posso dizer que a nossa produtora oferece todos as pontas necessárias para o artista, desde planejamento até a execução. Um bom exemplo é o nosso trabalho desenvolvido com o cantor Marcos Freire, atualmente distribuído pela Sony Music e gerenciado pela Usina Brasil.

Em algum momento você sentiu algum preconceito por sua empresa ser criada e gerenciada por uma mulher?

Déborah Cohen: Sim, isso no dia a dia da mulher é infelizmente comum. Lidamos com isso, seja em um comentário, em um olhar. Não devemos achar que todo preconceito é violento. Existe aquele velado, disfarçado de cuidado e zelo, são rótulos arraigados a nossa sociedade. Tenho a sorte de estar cercada por profissionais abertos ao diálogo, de ser casada com Jacques, um empreendedor que tem este olhar de construção de um novo tempo, que me apoia e estimula. E graças a muitas mulheres fortes que vieram antes de nós, isso já não afeta. Até porque o foco é o resultado! É o cliente que busca nosso serviço. Hoje em dia e graças a muitas mulheres fortes que vieram antes de nós, isso já não me abate. Até porque o foco é o resultado! É o cliente que busca nosso serviço.

E na sua equipe, existem mulheres?

Déborah Cohen: Sim, existem, aliás, tem todos os tipos de pessoas competentes. Homens, mulheres, jovens, pessoas mais maduras, a competência é o que define o formato da nossa equipe para o trabalho que é proposto.

Sua produtora atende propostas diferentes e em cima disso você faz a equipe?

Déborah Cohen: Temos um processo de trabalho diferente. Quando uma demanda chega até nós, por exemplo, no audiovisual, seja ela: vídeo clipes, Dvds, Lives com transmissão ao vivo, documentários, cobertura de eventos e outras coisas. Entendemos o que internamente chamamos desafio, dividimos isso em duas partes, uma executiva que eu cuido diretamente e outra artístico que meu sócio Maicon Freitass cuida. Mas a etapa criativa antecede esta divisão. E dela nós dois cuidamos. Até que sabendo realmente o caminho a trilhar e então vamos cuidar dos detalhes. Na execução, temos acesso aos melhores profissionais, todos talentosíssimos para atender as demandas, mas cada um com uma expertise mais aflorada para um tipo de produção. Analisamos o que o cliente precisa e montamos a equipe em cima disso, em qualquer lugar da América Latina.

Quais trabalhos você se orgulha de dizer que sua produtora fez?

Déborah Cohen: Cada trabalho tem sua particularidade, seu tempo de maturação, desenvolvimento e entrega. E como um filho. Isso é muito feminino, né. Mas é como eu sinto. Consigo me lembrar de cada uma das alegrias e dos perrengues. Afinal filho dá trabalho, né? Mas a cada lançamento, vem o orgulho de fazer parte daquele projeto. Me lembro quando no lançamento do clipe 360º da Cantora Kemylli Santos, a gravadora mandou comprar 500 óculos 3D para uma avant premier do clipe que foi feito em 360º. A gravação do DVD do cantor Marcos Freire, onde recebemos um público de mais de 300 pessoas e convidados como a cantora Nivea Soares ao palco. A primeira live da Majestade do Sertanejo Roberta Miranda, quando ao final do trabalho que rendeu mais de um milhão de visualizações, recebemos os parabéns de Marcos Maynard, um monstro da indústria fonográfica. Poderia passar a tarde aqui falando…Hoje podemos dizer que já produzimos grandes nomes, como Eyshila, Pastora Ludmila Ferber, Davi Sacer, Palankin, Brenda Santos, entre outros. Mas se tenho que escolher um, então vamos lá, o próximo! (risos)

Você tem focado então na indústria musical né?

Déborah Cohen: Focadíssima em atender as missões que nos entregam, se você tiver um bom roteiro de um longa e um investidor podemos conversar (risos)! Eu gerencio carreiras também, tenho desde a Miss São Paulo Karen Porfiro até artistas da Sony Music no meu cast. O planejamento de carreiras me fascina, tudo que eu faço tem planejamento. Neste momento eu realmente tenho atendido uma demanda bem maior para o mercado musical, produzimos para gravadoras como Sony, Som Livre, mas também para artistas independentes.

O mercado de conteúdo de música e vídeo mudou, tudo foi pro streaming, foi difícil assimilar?

Déborah Cohen: Entramos no mercado no momento que tudo começou a mudar, então além da pesquisa básica que eu fazia como consumidora, também fiz e faço diversos treinamentos sobre as plataformas. Mas pra entender o novo mercado não basta saber mexer nas plataformas, hoje a gente que está dentro dessa indústria tem que saber sobre marketing digital, conhecer o que mudou na arrecadação dos direitos autorais e artísticos com essa nova maneira de fazer distribuição. Todo dia é dia de pesquisa, de trocar conhecimento com os colegas e de fazer um treinamento do por vir.

Você como mulher e diretora de uma produtora já pensou em contribuir de alguma forma com conteúdo para inspirar outras mulheres?

Déborah Cohen: Sim, temos um projeto “Mulheres do Brasil”, mas isso é uma longa história.

Como enxerga esse movimento crescente de mulheres empreendedoras no Brasil? Alguma dica para essas mulheres?

Déborah Cohen: Sou grata a todas as mulheres que vieram antes de mim. Me levanto sobre as lagrimas de todas elas. E me esforço para suavizar o caminho daquelas que vierem depois de mim. Aprendi com minha mãe Madi Nogueira, a mais guerreira de todas: Estudar, estudar, estudar. Conhecimento é poder. Isso ninguém tira de nós. Isso nos diferencia, nos faz ser respeitadas. Pode parecer que por eu estar à frente de uma produtora que atua no mercado é fácil falar que é normal observar esse movimento, mas me emociono quando vejo as mulheres conquistando. Isso é comum, e deveria ser normal, independente do sexo, regionalidade, raça e religião. A competência tem que ser o fator que define o lugar de cada um, e temos mulheres extraordinárias no nosso país, cheias de talentos e garra. Quando a gente não sabe que é impossível é mais fácil ter êxito, foquem em atender seu planejamento, mirem nas soluções que seus clientes querem, se capacitem constantemente e avancem.

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