A pauta da inclusão tem ganhado espaço no debate público e no mercado da moda nos últimos anos, impulsionada por movimentos globais de diversidade e responsabilidade social. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência, cerca de 15% da população global. Ainda assim, a representatividade desse grupo em campanhas publicitárias, passarelas e cargos formais de trabalho segue muito abaixo do ideal. Um estudo da McKinsey aponta que empresas diversas têm até 36% mais chances de apresentar melhores resultados financeiros, o que reforça que inclusão não é apenas uma pauta social, mas também estratégica.
No Brasil, o cenário revela avanços tímidos. Dados do IBGE indicam que pessoas com deficiência enfrentam maiores taxas de desemprego e menor renda média em comparação à população sem deficiência. No setor da moda, tradicionalmente marcado por padrões restritos de beleza e comportamento, a inclusão ainda encontra resistência, apesar de iniciativas pontuais em semanas de moda e grandes marcas internacionais. É nesse contexto que histórias individuais passam a exercer um papel transformador, mostrando que a mudança estrutural começa, muitas vezes, a partir de experiências pessoais que se convertem em ação coletiva.
Desde criança, Adriana de Araújo era uma menina sonhadora. Mesmo sem saber exatamente onde chegaria, carregava a certeza de que sua vida teria um propósito maior. Essa sensibilidade ganhou um novo sentido com a maternidade e mudaria para sempre o rumo da sua história.
A pauta da inclusão entrou em sua vida a partir da dor. A falta de inclusão vivida por sua filha, Maju, revelou o quanto o mundo ainda estava despreparado para acolher pessoas com deficiência. Diante da exclusão, Adriana fez uma escolha: lutar. “A Maju se tornou o meu motor. Tudo o que fiz foi para garantir o protagonismo dela, não apenas permissão para existir”, afirma.
Com o tempo, ela percebeu que a realidade da filha era a de milhares de famílias. A luta pessoal se transformou em propósito coletivo. Sustentada pela fé, Adriana reconhece em Deus a força e a direção que a impulsionaram nos momentos mais difíceis. Para ela, a espiritualidade é alicerce e compromisso com dignidade, justiça e amor ao próximo.
Ao buscar espaços para Maju, Adriana passou a ocupar ambientes onde a inclusão quase não existia. Assim, levou essa pauta para algumas das principais semanas de moda do mundo, como Milão, Paris, Londres e São Paulo, abrindo caminhos para outras pessoas com deficiência.
Essa atuação resultou em parcerias com grandes marcas. Há cinco anos, Adriana mantém diálogo global com a L’Oréal Paris, além de trabalhos com empresas como Natura, Sephora, MAC e TIM Brasil. Mais do que visibilidade, seu foco sempre foi oportunidade real.
Hoje, Adriana representa e acompanha pessoas com deficiência que passaram a ocupar espaços concretos no mercado de trabalho, inclusive em projetos com a L’Oréal Paris. “Ver pessoas com deficiência sendo contratadas e reconhecidas pelo seu talento é uma das maiores conquistas da minha trajetória”, destaca.
Reconhecida pela Glamour Brasil, Adriana também ampliou sua atuação para o campo institucional, sendo idealizadora da Lei Maju de Araújo, voltada à defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
A menina sonhadora cresceu, mas o sonho permanece, construir um mundo onde pessoas com deficiência não precisem pedir espaço, apenas ocupá-lo.
