Black Friday coloca credibilidade dos influenciadores à prova e exige novas estratégias das marcas

Direto de PE
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Foto Divulgação

Para Daí Rocha, CEO da Ragatanga, confiança vale mais do que milhões de seguidores; executiva também defende campanhas mais responsáveis, diversidade além das datas comemorativas e valorização dos criadores negros

Com a aproximação da Black Friday, marcada para 27 de novembro, marcas e influenciadores digitais intensificam suas estratégias para um dos períodos mais movimentados do comércio. Em meio à disputa pela atenção dos consumidores, uma questão ganha cada vez mais importância: até que ponto a exposição de produtos nas redes sociais se transforma, de fato, em vendas? Para Daí Rocha, CEO da Ragatanga, agência especializada em marketing de influência, a resposta está menos no número de seguidores e mais na confiança construída entre criadores de conteúdo e suas comunidades.

Segundo a executiva, o mercado de influência passa por uma mudança na maneira de avaliar resultados. Se antes o alcance era considerado um dos principais indicadores de sucesso, hoje a capacidade de estabelecer conexões genuínas com o público se tornou um diferencial competitivo, especialmente em períodos de grande concentração de campanhas publicitárias.

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“Um criador que conversa de verdade com 50 mil pessoas pode gerar resultados muito mais relevantes do que alguém que alcança milhões, mas não construiu uma relação próxima com sua audiência. Na Black Friday, isso fica ainda mais evidente, porque todo mundo está anunciando alguma coisa ao mesmo tempo. O consumidor consegue perceber quando uma recomendação é genuína ou quando existe apenas um interesse comercial. A confiança não se constrói durante uma campanha, mas ao longo de meses e anos de relacionamento”, afirma Daí.

Quando a publicidade começa a comprometer a reputação

O aumento das oportunidades comerciais durante a Black Friday também traz desafios para a gestão de carreira dos influenciadores. Para Daí Rocha, aceitar campanhas sem considerar a identidade do criador, seu posicionamento e os interesses da audiência pode comprometer um dos ativos mais importantes desse mercado: a credibilidade.

A executiva avalia que o excesso de publicidade, especialmente quando envolve produtos e marcas desconectados do conteúdo habitual do influenciador, pode enfraquecer sua capacidade de recomendação e prejudicar futuras parcerias.

“Nem toda oportunidade comercial é uma boa oportunidade de carreira. É claro que a Black Friday representa um período importante de faturamento, mas existe uma diferença muito grande entre aproveitar uma oportunidade e transformar o perfil em uma sequência de anúncios desconectados. Às vezes, aceitar três campanhas coerentes é muito mais estratégico do que fechar dez contratos apenas pelo retorno financeiro. A Black Friday termina em novembro, mas aquele influenciador precisa continuar sendo relevante durante todos os outros meses do ano”, destaca.

Para a CEO da Ragatanga, essa análise também precisa fazer parte das estratégias das marcas. Mais do que contratar profissionais com grandes audiências, as empresas devem compreender o perfil dos consumidores que desejam alcançar e identificar criadores capazes de estabelecer conversas legítimas sobre seus produtos.

Diversidade não pode ser apenas uma estratégia de campanha

Além das discussões sobre vendas e reputação, Daí chama atenção para a responsabilidade social do marketing de influência, especialmente em um período que também coincide com o Mês da Consciência Negra.

Na avaliação da executiva, a presença de criadores negros nas campanhas publicitárias representa um avanço importante, mas ainda existe uma distância entre ampliar a representatividade nas peças de comunicação e garantir oportunidades reais de crescimento profissional e participação nas decisões do mercado.

“Quando falamos de influenciadores negros, estamos falando de profissionais que possuem histórias, repertórios, comunidades e uma capacidade enorme de movimentar o mercado. Mas ainda precisamos avançar para que esses criadores sejam reconhecidos pelo valor do seu trabalho, e não apenas pela representatividade que entregam para uma campanha. Não basta colocar uma pessoa negra na publicidade para dizer que existe diversidade. Precisamos olhar para quem está criando, negociando, dirigindo e tomando as decisões nos bastidores”, pontua.

Outro aspecto destacado pela empresária é a necessidade de equilibrar os interesses comerciais com o incentivo ao consumo consciente. Em um cenário no qual as redes sociais influenciam diretamente as decisões de compra, Daí considera fundamental que os criadores compreendam o impacto de suas recomendações, inclusive sobre consumidores que enfrentam dificuldades financeiras.

“O influenciador tem todo o direito de monetizar seu trabalho, mas também precisa compreender a responsabilidade que acompanha sua capacidade de influenciar decisões. Uma promoção nem sempre representa uma necessidade real de compra. Precisamos construir uma publicidade que respeite o consumidor e que não esteja preocupada apenas em vender a qualquer custo”, avalia.

Para Daí Rocha, o futuro do marketing de influência passa por relações comerciais mais transparentes, pela valorização de profissionais diversos e por estratégias que priorizem resultados sustentáveis, tanto para as marcas quanto para os criadores.

“Uma publicidade mais responsável começa quando entendemos que influência não serve apenas para vender produtos, mas também para ampliar conversas, construir referências e gerar oportunidades. As marcas que compreenderem isso terão condições de construir relações muito mais duradouras com seus consumidores”, conclui.

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