Banco Master: onde investir dinheiro investido a ser ressarcido pelo FGC?

Redação
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Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital, analisa onde investir valor a ser recebido pensando no curto, médio e longo prazo

Quase dois meses após a liquidação do Banco Master, investidores que haviam aplicado recursos na instituição começaram a receber valores pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deve realizar o maior desembolso de sua história para reparar os prejuízos causados pelo colapso da instituição. Em torno de 800 mil investidores, segundo estimativas oficiais, vão receber o dinheiro.

A crise do Banco Master culminou em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da instituição em meio a irregularidades, dificuldades de liquidez e suspeitas de falhas de gestão que minaram a confiança no banco. A medida significou o fim das operações da instituição e a abertura do caminho para que o FGC assegurasse reembolsos aos investidores que tinham aplicações cobertas pelo fundo, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e outros produtos garantidos.

O papel do FGC é justamente proteger pequenos investidores e depositantes em casos de falência ou intervenção em instituições financeiras, oferecendo uma cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Esse mecanismo, que envolve contribuições mensais de bancos associados, é tido como uma espécie de “seguro” para aplicações financeiras. No caso do Master, por se tratar de um volume recorde de recursos e de credores, o valor estimado a ser pago rondando os R$ 41 bilhões representa um desafio sem precedentes para a entidade.

Enquanto uns aguardam e outros recebem, muitos investidores começam a pensar estrategicamente sobre como utilizar o eventual valor a ser recebido do FGC, ponderando formas de aplicar esse montante pensando não apenas no curto prazo, mas também no médio e longo prazo.

Onde investir?

Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital, sugere que, para a maior parte desse valor, em torno de 35%, o investidor pode escolher um fundo com foco em debêntures incentivadas de infraestrutura, como o Fundo BTG Total Incentivado Infra Renda Fixa: “É possível investir em um fundo como esse isento de imposto e com rendimento acima do CDI”, diz.

Para outra parcela dos recursos, a especialista propõe um CDB pós-fixado de um banco sólido dentro da garantia do FGC. “Aqui o objetivo é receber rendimento com liquidez sem surpresas no meio do caminho”, afirma. Ela ainda ressalta a importância de contar com instituições financeiras com perfil mais estável e prudente.

Quanto ao horizonte mais longo, Andressa observa que os outros 20% podem ser alocados em investimentos que protegem o poder de compra ao longo do tempo. “Então aqui vale participar de um leilão de título público e adquirir uma taxa acima de IPCA + 7%, que historicamente é um patamar super raro e extremamente eficiente na relação risco-retorno”, comenta, refletindo sobre a importância de resguardar o capital contra a inflação ao longo dos anos.

Não menos importante na estratégia de alocação é a diversificação internacional. “Por uma questão estratégica de risco, eu não sugiro concentrar todo o patrimônio no Brasil, então os outros 30% vão ser alocados em ativos internacionais para reduzir o risco e equilibrar a carteira. É possível achar fundo rendendo acima de 8% em dólar no ano”, diz.

Portanto, é fundamental reestruturar os portfólios de maneira a equilibrar liquidez, segurança e potencial de retorno, especialmente após um episódio que colocou sob os holofotes os riscos inerentes a aplicações que oferecem rendimentos muito acima da média.

Até que os pagamentos sejam oficialmente iniciados, o clima entre os investidores segue de cautela e expectativa. O avanço dos trâmites e a definição de datas concretas para o repasse poderão converter, enfim, esse longo período de incerteza em um novo capítulo de planejamento financeiro pessoal.

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