Em tempos de reinvenção do mercado editorial, a Bananas Magazine chega à sua 16ª edição reafirmando o que sempre a moveu: moda como narrativa, imagem como estratégia e arte como ferramenta de transformação. Idealizada e dirigida criativamente por Elian Gallardo, a publicação independente consolidou-se, ao longo de mais de uma década, como plataforma de visibilidade e construção de identidade dentro da indústria criativa brasileira.
A revista nasceu justamente quando grandes títulos impressos perdiam força e veículos tradicionais de moda encerravam ciclos. Foi nesse cenário de transição que Elian enxergou uma oportunidade: criar um produto autoral que não se limitasse à estética, mas que revelasse talentos e gerasse oportunidades reais para modelos, artistas e profissionais do setor.
A estreia foi emblemática. A primeira edição prestou tributo ao arquiteto Oscar Niemeyer, com ensaio realizado nos Caminhos Niemeyer, no Rio de Janeiro, e fotografado por Kadu Niemeyer. Desde ali, a Bananas deixou claro seu posicionamento: moda com conceito, direção criativa forte e diálogo direto com a cultura brasileira.
Ao longo das edições, a revista equilibrou nomes consagrados e apostas estratégicas. Já foram capas da publicação artistas como Danielle Winits, Sílvia Pfeifer, Leona Cavalli e a supermodelo Renata Kuerten, reforçando o posicionamento plural e sofisticado da revista. A publicação também prestou tributo ao fotógrafo Peter Lindbergh, evidenciando seu olhar autoral e sua conexão com a história da moda internacional.
Apesar do nome tropical, inspirado na fruta que simboliza sensualidade, movimento e provocação, a Bananas sempre se definiu como uma revista de moda conceitual. A sensualidade que atravessa suas páginas é estética e cultural, nunca vulgar. A publicação transita entre o fashion autoral, a cultura popular e a construção estratégica de imagem.
Agora, a nova fase ganha corpo na Issue 16, que traz a brasilidade como tema central. A proposta é um mergulho sensorial na identidade nacional, explorando miscigenação, negritude, cultura popular, calor, praia, boteco e o corpo como linguagem estética. Mais do que tendência, a edição propõe uma reflexão visual sobre pertencimento e representatividade.
Quem estrela a capa é a modelo Karla Krizara, maranhense de Bacabal, que traduz o conceito em narrativa pessoal. Criada entre raízes nordestinas e a construção de carreira em São Paulo, ela vê na brasilidade uma síntese de resistência. “Significa resiliência. É essa mistura de cores e sotaques, mas principalmente a força de quem não desiste em meio a tantas provações”, afirma.
A escolha de Karla carrega ainda um simbolismo especial. Assim como a modelo, o fundador da revista, Elian Gallardo, também é do Maranhão. Ter uma maranhense na capa de uma edição dedicada à brasilidade tornou-se, portanto, um presente afetivo e simbólico para o criador da Bananas — um reencontro com suas próprias origens por meio da moda e da imagem.
O convite para protagonizar a edição marcou uma virada emocional. “Depois de experiências difíceis, receber esse convite pelas mãos do Elian me trouxe uma sensação de segurança”, revela. Ao longo do ensaio, Karla transformou o editorial em afirmação de identidade. “Minha essência apareceu na coragem de fazer o contrário do que esperavam de mim. Hoje me sinto 100% segura para ser quem eu sou.”
A edição também celebra corpos diversos e mulheres fora do padrão tradicional. Para a modelo, a moda brasileira começa a olhar para dentro. “O Brasil é plural, e a moda está entendendo que nossa riqueza está nessa diversidade de raízes.” Ela reforça ainda a potência feminina no setor. “A mulher brasileira é o próprio motor da moda. Somos determinadas e temos uma energia que não existe em nenhum outro lugar do mundo.”
Nos bastidores, o clima de união foi determinante. “O que mais me marcou foi ver a dedicação de toda a equipe. Isso me deu a certeza de que estou no caminho certo.” O momento mais simbólico foi quando se olhou no espelho. “Me senti orgulhosa de chegar até aqui.”
Superando crises de ansiedade e inseguranças ao longo da trajetória, Karla define sua fase atual como um ponto de expansão. “Essa capa é o degrau que eu precisava para avançar. Meu sonho é abrir desfiles e estrelar grandes campanhas.” E resume quem é hoje em uma frase. “Uma mulher forte, determinada e pronta para conquistar o mundo com a sua verdade.”
