A era do rejuvenescimento consciente: por que o novo luxo é parecer bem, sem parecer “feito”

Redação
6 min. leitura

Cresce no Brasil o número de pessoas que buscam rejuvenescer o rosto com naturalidade, técnica e bom senso. Cirurgiã plástica explica por que a beleza agora caminha lado a lado com autenticidade — e não mais com transformações drásticas.

A obsessão pela juventude ainda não acabou, mas está mudando de forma. Após uma década marcada por preenchimentos exagerados, harmonizações que alteravam profundamente os traços e a busca por “rostos instagramáveis”, uma nova tendência está ganhando espaço nos consultórios de cirurgia plástica: o rejuvenescimento consciente.

Mais do que apagar sinais do tempo, o desejo agora é manter a identidade, suavizar os traços e preservar a essência do rosto. A era do “rosto plastificado” dá lugar ao conceito do “natural look”, que já domina os principais congressos de estética no mundo.

- Publicidade -

Segundo dados recentes da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery), procedimentos minimamente invasivos como preenchimentos com ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno cresceram 25,8% no mundo em 2023. Já as cirurgias faciais com técnicas menos agressivas, como a blefaroplastia (cirurgia das pálpebras) e o lifting com vetores anatômicos, tiveram aumento de 18,4% no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Para a Dra. Pamela Massuia, cirurgiã plástica especializada em face e corpo, com mais de 3 mil cirurgias realizadas, essa mudança tem raízes não apenas estéticas, mas emocionais e culturais:

“Estamos entrando em uma fase em que as pessoas querem se cuidar, mas sem perder a história que carregam no rosto. O novo luxo é parecer bem, descansado, com autoestima — e não parecer outra pessoa. A cirurgia plástica deixa de ser uma ferramenta de transformação para se tornar uma ferramenta de reconexão com a própria imagem.”

Entre os procedimentos mais procurados nesse contexto estão a blefaroplastia com técnica precisa, que remove o excesso de pele das pálpebras superiores e inferiores sem alterar o olhar, o lifting facial com vetores naturais, que reposiciona tecidos com leveza, além de tecnologias como o Ultraformer e bioestimuladores como Sculptra, que estimulam colágeno e melhoram a firmeza da pele de forma gradual.

Um dos diferenciais da abordagem de Pamela está justamente no olhar global e estratégico sobre o rosto. Muitas vezes, ela associa pequenos procedimentos no mesmo momento da cirurgia principal, aproveitando a sedação da paciente para realizar, por exemplo, preenchimento labial, aplicação de colágeno ou outras correções pontuais, o que garante mais conforto, evita múltiplas recuperações e potencializa os resultados.

“Quando a paciente já está sedada para uma cirurgia como a das pálpebras, aproveito para resolver detalhes que fariam diferença no todo — sempre com bom senso e respeitando o que é natural para ela. Isso reduz desconforto, evita sessões repetidas e entrega um rejuvenescimento mais integrado e harmônico”, explica a médica.

A estética como expressão de identidade

A mudança no comportamento do paciente acompanha uma transformação cultural mais ampla. Em um mundo cada vez mais atento à diversidade e à autenticidade, a padronização estética começa a ser questionada. Celebridades como Andie MacDowell, Paulina Porizkova e até Nicole Kidman, que apareceu recentemente com aparência mais natural, reforçam esse novo movimento: a beleza real, com rugas, expressão e verdade.

“O excesso já não inspira. Hoje, inspira quem consegue envelhecer bem, com dignidade estética e equilíbrio. Estamos falando de um novo perfil de paciente: mais informado, mais exigente, e menos disposto a apagar sua trajetória em nome de um padrão”, reforça a Dra. Pamela.

Esse paciente — muitas vezes mulheres entre 35 e 60 anos — não busca milagres. Querem procedimentos com recuperação mais rápida, menos cicatrizes, e sobretudo resultados duradouros que não precisem ser escondidos.

Menos filtro, mais realidade

O movimento também dialoga com o declínio do uso excessivo de filtros nas redes sociais. Plataformas como Tik Tok e Instagram passaram a destacar conteúdos mais reais, com menos edição e mais vulnerabilidade. O conceito de “beauty transparency” já é tratado como tendência pela consultoria de inovação WGSN, e começa a influenciar até campanhas publicitárias de marcas de cosméticos.

“O rejuvenescimento não é mais sobre negar a idade. É sobre viver bem cada fase. A cirurgia plástica entra como uma aliada da autoestima, mas precisa ser feita com ética e com arte. Técnica sem estética vira exagero. E estética sem responsabilidade, virá risco”, pontua Pamela.

No fim, o recado é claro: não é sobre ter o rosto da juventude de volta, mas sobre ter orgulho da mulher que você se tornou — com ou sem rugas.

Cadernos
Institucional
Colunistas
andrea ladislau
Saúde Mental
Avatar photo
Exposição de Arte
Avatar photo
A Linguagem dos Afetos
Avatar photo
WorldEd School
Avatar photo
Sensações e Percepções
Marcelo Calone
The Boss of Boss
Avatar photo
Acidente de Trabalho
Marcos Calmon
Psicologia
Avatar photo
Prosa & Verso